sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Estranho...

Estranho. Hoje eu estava conversando sobre relacionamentos passados com uma amiga do trabalho e aí eu disse a ela que meu primeiro namorado havia me deixado mal acostumada porque eu achava que todos os namoros que eu por ventura tivesse seriam como o que tive com ele, sem brigas, feliz, com poucos problemas, coisas mínimas. Nós acabamos ficando muito amigos e eu o amo profundamente.
Não aconteceu novamente.
Os namorados que tive depois não se transformaram em grandes amigos, tem um, o n. 2, que passou várias vezes por mim e eu por ele e a gente olhou cada um pra o lado oposto. Muito triste isso e, no entanto, necessário porque um simples oi me deixaria doente de tristeza. Nunca vou superar a perda das minhas ilusões com relação a ele... o gostar não existe mais, na verdade transformou-se em amargura, enfim, melhor nem vê-lo.
O n.3 tá quase virando amigo; falta um pouco ainda. E o n.4 ainda tá recente demais pra sermos qualquer coisa um do outro. Espero que um dia a gente seja amigos sim. Nenhum desses namoros foi tão feliz quanto o primeiro. Tão sem conflitos reais... Tínhamos diferenças, não vivíamos num mar de rosas o tempo inteiro, mas era muito mais leve que qualquer outro. Sinto falta disso.

Agora há pouco ele apareceu no msn e conversamos um pouco porque já é muito tarde lá onde ele mora agora com sua esposa e sua vida nova. O estranho é que ele me disse que não é mais o mesmo, não tem as mesmas idéias loucas e intensas que eu admirava tanto... Isso me bateu uma puta tristeza porque eu sempre achei que ele nunca mudaria, que sempre seria o cara que eu conheci e que tinha essas idéias apaixonantes e insanas e umas teorias libertárias e ingênuas e um modo tão diferente de ver o mundo, e de se perceber no mundo... a vida faz isso com as pessoas... transforma vinho em água, ouro em madeira...

Terminamos porque eu não estava preparada praquilo naquela altura da minha vida. Eu tinha que ficar só e viver minha vida. Precisava vivenciar toda sorte de coisas que tenho vivenciado. Aquele tipo de amor era demais pra mim, eu não conseguia processá-lo, digeri-lo, entendê-lo, abrigá-lo. Não lamento ter terminado porque era o que me parecia certo no momento, o que não significa que eu não possa sentir uma puta saudade da época... Putz, que melancolia da porra que me bateu hoje o dia inteiro... Eu era imatura e precisava virar uma adulta pra saber o que é amor de verdade e o quanto ele vale. Porque tudo eu imaginava, eu não sabia de nada do amor, só do sofrimento, da perda, das tristezas. Acho que hoje sim estou pronta pra um amor. Não com ele. Agora nosso amor é fraterno. O de agora seria amor de um outro homem que eu ainda nem conheço, que talvez não conheça até que esteja bem velhinha, enfim, Amor. Agora eu conheço as decepções, as mentiras dos homens e minhas próprias, a aridez dos corações alheios e as deficiências do meu. Agora estou pronta pra sofrer e, sobretudo, pra acolher a felicidade. Eu sei que tenho um talento todo especial pra o sofrimento, mas eu quero acreditar que agora, agora mesmo, agora no presente, agora eu sei, agora eu posso amar e ser feliz. Estranho, né?

Quero muito que todos eles sejam felizes também, cada qual com seu amor de verdade que não era eu também. Todos menos o n.2, verdade seja dita.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

resoluções de maria-mole

Hoje enquanto eu caminhava de volta pra casa do trabalho, olhando pras árvores bem verdes e pra o céu bem azul porque agora com essa porcaria de horário de verão eu volto pra casa com sol ainda, e eu achei aquilo tão bonito, tão tropical, tão coisa de verão e eu fiquei ainda mais indignada por ter passado o dia inteiro enfurnada no trabalho ao invés de ter aproveitado um dia lindo como este que foi hoje pra não fazer coisa alguma ao ar livre porque eu realmente não gosto de fazer nada ao ar livre durante o dia mas acho bonito poder ver o dia pela janela enquanto fico lendo deitada na minha caminha quentinha ou enquanto faço qualquer outra coisa dentro de casa. Não penso que poderia estar num clube ou na praia. Não gosto dessas coisas. Bem, de praia eu até que gosto, mas só se estiver suficientemente vazia pra eu ficar a sós com o barulho do mar e a calmaria e o cheiro do mar e só. Daquele sossego de praia deserta eu sinto a falta. Areia clarinha, mar azul-esverdeado, céu azul... Até calor eu suporto desde que tenha o mar ali bem na frente dos meus olhos e ouvidos e nariz. Não gosto de nadar. Primeiro porque não sei mesmo nadar, segundo porque tenho medo de tanta água junta no mesmo lugar. Prefiro a água de chuveiro pra tomar banho. É menos assustador. Oh, droga, lembrei que preciso desentupir o ralo do banheiro de novo! Droga!

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Enquanto o diabo verde faz efeito, como minha pizza requentada. E chá gelado. Acho que verei um episódio da 8ª temporada de CSI porque a 3ª do Dexter não ta conseguindo prender a minha atenção o bastante...

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O ralo vai bem, obrigada. Mas ainda não tive coragem de ir lá tomar o banho do final do dia. Quando eu estiver prestes a dormir, me arrisco porque se algo der errado, tudo vai ficar com cara de sonho e esqueço mais rapidamente ainda.

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Estava voltando pra casa, hoje, a mesma volta em que eu olhava o céu azul e as árvores verdes e achei bem bonito aquele dia de verão apesar do desperdício do trabalho, e eu vinha ouvindo these things do she wants revenge (a caminhada do trabalho até aqui só dá tempo de ouvir uma música comprida) e aí pensei mas por que diabos minhas resoluções têm menos consistência que mingau?! Por que diabos eu fico voltando atrás mesmo que não admita isso pra quem ouviu as minhas tais resoluções que eu já me arrependi delas?! Droga. Um dia hei de manter minhas resoluções firmes. Sim, firmes! Sólidas como rochas. É como dizem: a língua é o chicote do corpo... Pronto, agora já fiz contato, agora ele já sabe que sou uma boboca sem firmeza alguma, contudo, de uma complexidade infernal. Eu culpo os hormônios. Acho que ligarei pra o convênio amanhã pra saber se eles cobrem um endocrinologista. Têm que ser os hormônios.

sábado, 6 de dezembro de 2008

pão e...

Estou mais calma agora que o cheiro de pão assando preenche a minha casa e eu me sentei aqui pra escrever. Sinto o cheiro do pão, olho as coisas ao meu redor, as minhas coisas, muitas coisas numa casa tão pequena, um quarto e sala e por que deveria ser maior já que somente eu vivo aqui, eu e minhas coisas não precisamos de mais espaço eu preciso é de menos coisas, no entanto, tudo isso, minha arrumação, meus objetos todos e esse cheirinho de pão quente, tudo isso é que faz desta casa a minha casa, minha casa que eu gostaria de vivenciar mais não fosse pelo trabalho que me obriga a permanecer tantas horas consecutivas longe daqui e eu até gosto de ir ao trabalho e encontrar minhas colegas e meus colegas e poder conversar com outras pessoas, pessoas de verdade, não as vozes dentro da minha cabeça porque as pessoas, aquelas pessoas que trabalham comigo, elas me fazem sentir real. Quando estou aqui nesta casa, na minha casa, eu nem sequer existo. Não sei porque penso este tipo de coisa assim como não sei explicar porque hoje, logo hoje entre tantos dias eu resolvi usar os pronomes demonstrativos todos com t ao invés de ss. Simplesmente acontece.
Olho pro calendário que eu trouxe de São Paulo e ele continua congelado em outubro apesar de já estarmos em dezembro, mas, afinal, quem está contando? Este tempo parece que não desgruda do lugar ou, pior ainda, é como quando a gente anda de carro muito rapidamente e a paisagem se transforma num borrão irreconhecível e homogêneo. Não lembro realmente disto ter me acontecido alguma vez na vida, mas na minha cabeça a imagem é nítida: uma janela e a paisagem, um borrão verde-azulado, arrastando-se do lado de fora, como uma pintura impressionista radical. Deve ser memória de algum filme.
Agora estou mais calma. Não há porque manter tanta agitação. Eu é que sempre estou dois passos adiante de qualquer cara que tente me acompanhar. As minhas metas são minhas, não deles. Ninguém consegue me acompanhar porque eu acabo preferindo andar sozinha. Ninguém pode me acompanhar em direção ao que eu quero porque, no fundo, minha meta é ficar só. Por isso eu sou tão agressiva, me esquivo, arranjo desculpas pra terminar coisas que ainda nem sequer começaram. Sou impaciente com os homens porque eles são homens e me desafiam a me abandonar de mim mesma, dos meus controles, dos meus excessos. Uma control freak feito eu só encontra par no espelho. E tudo bem, Verônica, tome mais sorvete, tome outro comprimido pra dor, veja mais um filme, vá a mais uma festa e dance a noite inteira, vá trabalhar, beba café, coma chocolates, ria da vida e do mundo, ria de si própria, pense nas férias e na aposentadoria, faça favores, separe o lixo orgânico, faça compras, faça caminhadas, escute suas músicas no seu mp3 e nunca deixe ninguém se aproximar de verdade. A vida continua. Tudo no seu lugar como deveria estar. Tudo em seu lugar. E eu no comando.

Talvez chegue o dia em que eu pare de me interessar pelos homens... É certo que eles inevitavelmente não se interessarão mais por mim... talvez aí eu me dê por satisfeita. Até lá, continuarei arranjando desculpas e me aborrecendo e querendo exatamente aquilo que eu não posso ter e me desfazendo de tudo o que ainda nem é meu, mas não seria meu mesmo porque não se pode possuir as pessoas. E no dia em que me aparecer um homem dócil e domesticável, certamente ele não me agradará. Detesto homens submissos, especialmente aos meus caprichos. E não consigo suportar os que não o são, portanto, meu destino está bem traçado, foi determinado no momento mesmo em que eu me vi a mim mesma como uma mulher não disposta a concessões. No mais, serei bem feliz com minhas amigas e amigos, cinema, festas, livros, sobremesas, cafeína em doses alopáticas, chá gelado, banda larga, viagens solitárias nos ônibus sujos do DF, reuniões de família de quando em vez, drogas lícitas e o sonho de ganhar na loteria.

O pão está pronto.

Vou dormir agora e sonhar minha vida na vida de outra pessoa.

bad man?

Vai ser foda dormir hoje com tanta raiva roendo minhas vísceras, e a porra da dor nas costas que não passa e a sensação de dèja vu escrota e o nó na garganta por causa das expectativas frustradas (e olha que eu tentei mantê-las no nível mínimo porque todo cuidado é pouco no que diz respeito à homens bonitos e inteligentes e interessantes), mas tudo bem, amanhã eu desconto tudo na pista de dança. I’ll dance my troubles away. Wish I could dance my life away... :/



Detesto esta sensação de tempo perdido. De novo. Perco meu tempo tentando acreditar que desta vez será diferente. Bullshit. Não há mudança nenhuma! É sempre a mesma estória. Não sei como é que os caras conseguem dar sempre as mesmas desculpas... Foda-se! eu não pretendo me relacionar com mais ninguém via mensagens de celular, scraps, msn ou seja lá que dispositivos que a moderna tecnologia nos empresta pra manter fora do campo de visão quem deveria estar perto, muito perto.
Uma pena, ele é um cara extraordinário. Não é porque eu não tenho paciência pra ficar em stand by que ele deixa de ter as qualidades que me fizeram admirá-lo e é pelo bem dessa admiração que é melhor mantermos distância. Ele tentou manter os canais de comunicação abertos, mas eu prefiro não falar mais com ele. Não me faria bem.

Tive tanta vontade de quebrar algo bonito agora... Por isso os caras brigam a toa por aí, pra ter alguma sensação além deste nó na garganta. E o cara do cold war kids tá me dizendo neste exato momento things could be much worst. É, ele tem razão, as coisas poderiam ser bem piores, eu só não consigo imaginar como, mas... whatever... ele tá certo: tudo isso vai desaparecer com o tempo. Ah vai!

Deixei um pão sendo feito na máquina, mas parece que quem tá sendo sovada sou eu. Estupidez fazer um bendito dum pão logo agora... respondendo as mensagens dele e tentando medir as quantidades dos ingredientes pra ver se pelo menos alguma coisa esta noite não dá errado. Estou muito brava. Muito. E sabe o que é o pior, o mais escroto? Eu não posso cobrar nada dele! Nada! Absolutamente nada! Ele não é nada meu, ora bolas! Foda-se! eu tô cheia de relacionamentos à distância. Tô cheia de ficar esperando a disponibilidade deles. Tô cheia de ter que me contentar com palavras. Eu quero que as palavras de todos os homens se explodam junto com eles. Que vão pra o inferno os homens e suas palavras e a tecnologia. Por que diabos eles acham que as palavras são o bastante? As palavras não são o bastante! As palavras são só uma brincadeira e elas cansam depois de algumas rodadas. Pra mim é igualzinho jogar a porra do War. Eu acho um saco! Tem quem goste. Eu acho uma merda. Tem um monte de caras que acham o máximo, como o meu ex-namorado e, pelo visto, esse outro cara que só apareceu pra me bagunçar mais ainda a vida. A porra das palavras não substituem nenhum abraço, nenhum beijo, nenhum afago: celular é uma merda, msn é uma merda, orkut é uma merda, e-mail é uma merda. Que foi que aconteceu com o bom e velho olho-no-olho, porra?!
Ocupado é o cacete! Semana ocupada é o puto que o pariu! Claro que eu não entendo! Quando os homens querem algo, eles simplesmente vão lá e fazem. Vão lá e pegam. E delimitam a porra dos seus territórios imaginários com a porra do seu mijo imaginário. E eu, idiota que sou, fico presa dentro desta merda de círculo que um “tô com saudade” é capaz de criar. Sou uma estúpida. Tô me sentindo estúpida. Isso é uma merda. Sempre as mesmas desculpas e as mesmas palavras pra me deixar alegre, besta, esperançosa e, depois, desferir o tiro de misericórdia. Eles dizem que eu não entendo. Devo ser a encarnação da mulher burra pra não entender porque caras tão diferentes fazem as mesmas merdas. Pelo menos meu ex morava em outro estado... Como é que alguém consegue manter distância morando nesta porra de DF minúsculo?!

Hoje é uma daquelas noites em que eu odeio todos os homens na face da Terra.
E que ninguém venha tentar me dissuadir! Porque os homens e essa porra dessa tecnologia não servem pra nada à distância! Não há nada que substitua o contato físico. Não há soneto no mundo que valha uma semana de espera de quem quer que seja, que dirá umas mensagens engraçadinhas no celular. Então, senhores homens e sua tecnologia de merda, vão todos ao puto que vos pariu!!! Todos vão tomar nos seus respectivos cús!!!
Quanto à mim, eu vou é afogar minhas mágoas em sorvete de chocolate – obviamente! – e, distância por distância, vou é admirar a atuação do Bruce Willis em duro de matar 2.

E tenho dito!

Ps: agora é o cara do she wants revenge que tá me matando aqui enquanto canta I’m not a bad man, I’m just overwhelmed... Aliás, esta banda tem sido a minha obsessão durante as últimas semanas. Por que diabos as músicas têm tanto a ver com a porra da minha vida?! Várias formas de me torturar a mim mesma... Autocomiseração é uma bosta, pois não?

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

beleza

Há algo de verdadeiramente belo na solidão, eu pensava nisso enquanto ouvia a trilha sonora de Juno no meu mp3 e andava naquele ônibus sujo pela W3 e eu olhava pra rua pela janela e a abri mais um pouco pra deixar o vento bater nos meus cabelos indóceis e pensei exatamente nisso, em como a beleza na solidão é verdadeira. Bateu uma puta vontade de chorar e de rir ao mesmo tempo mas eu não sou dessas pessoas que anda rindo à toa ou chora na frente de desconhecidos, então eu só pensei, não ri e nem chorei e imaginei as lágrimas caindo dos meus olhos e descendo devagarzinho pelo meu rosto e molhando meu sorriso aberto e seria muito bonito isso. As lágrimas brilhando, meus dentes brilhando e a solidão inundando tudo. E as lágrimas silenciosas riscando meu rosto, traçando seu caminho. Silenciosas. Meu pequenos diamantes. Há algo de único na tristeza, algo que é só nosso, que não pode ser dividido, compartilhado. A tristeza não pode ser dividida, é só nossa. A alegria não, essa contagia toda gente que passa por perto, mas a tristeza, cada qual tem a sua e com ela fica. Cada indivíduo carregando sua mágoa, sua tristeza, sua solidão. Uma matula que ninguém vê mas pesa feito uma condenada no coração da gente... Se eu soubesse, só pintaria gente triste, mulheres tristes com seus semblantes enevoados e lindos. Mas dores de amor, não dor de quem perdeu filho ou de quem teve um membro decepado, isso é terrível, está além dessa tristeza que estou falando. Eu falo da tristeza de não ser amada de volta, ou de ter perdido um amor por pura bobagem, ou nem sequer ter chegado a amar... Essa marca de tristeza, de mágoa e de solidão que só a falta de amor dá a um rosto, isso é lindo. É lindo.

Cheguei em casa, tomei chá gelado e fui ver Duro de Matar 1 porque preciso abstrair tanta beleza e dor nesse mundo. Especialmente quando alguém que se conhece há tanto tempo e mal se conhece diz que nos sente a falta... aí é ficar bem protegida sob o edredon porque, como diria o Tom Zé, amanhã a felicidade vai desabar sobre os homens e ela mete medo...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

acontece...

Por que os homens simplesmente acontecem?

Minhas costas doem. Desde domingo. Agora um pouco menos, mas a dor é constante, ela não dá tréguas, não faz intervalos. Nem a porra das injeções que tomei segunda-feira resolveram essa merda. Nem a droga do relaxante muscular com antiinflamatório resolveu. Sei lá que porra é essa, já que nos raio-x não apareceu nenhuma lesão nas vértebras, segundo o ortopedista que me atendeu... Enfim, o jeito é continuar vivendo apesar dela me perturbar.
Outras coisas me perturbam... aquilo que se poderia chamar de consciência me perturba, mas bem menos que a dor nas costas, verdade seja dita. E a maldita ansiedade, essa porcaria de sensação de que algo está pra acontecer, algo dramático, decisivo, mas que na verdade não é nada. Nada acontece. Graças aos deuses? Sei lá.
Algo aconteceu. Algo aconteceu e me deixou confusa. Porque eu não esperava que nada acontecesse de novo e aí... bang! Aconteceu algo. Foi algo bom por um lado, mas por outro, extremamente ruim... E, no final das contas, no frigir dos ovos, nada aconteceu.

Por que os homens simplesmente acontecem?

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

...but it goes on...

As espinhas estão infestando meu rosto de novo. É uma bosta. Eu costumava ter uma pele de porcelana quando adolescente. Isso me faz falta. Não creio que qualquer outro aspecto de mim na adolescência me faça falta. Acho que isso é bom. Deve ser ruim viver de saudosismo, achando que o passado é era bom. Pra mim agora é que é bom. É bacana até pensar que o futuro, baseado em agora, pode realmente dar certo! Seja lá como for, pelo sim e pelo não, melhor continuar vivendo o agora numa boa e deixar o futuro pra quando ele virar presente.
Alguma coisa anda me incomodando muito, mas eu não sei o que é. Aquela sensação de que estou esquecendo algo importante tem sido muito mais freqüente do que o normal. E eu nem sequer tenho esquecido coisas em casa ou no trabalho como de costume... Estranho.
Eu queria era esquecê-lo. Esquecê-lo de vez como deveria ser nesses casos. Dessa vez a briga foi feia. Incrível como a tecnologia provém várias formas de se discutir e desentender das pessoas até em distâncias consideráveis! Incrível! É assustador isso. Assustador.
E eu pedi pra ele não tentar mais fazer contato comigo. Eu quis dizer exatamente isso mesmo. A gente precisa deixar um ao outro pra trás e olhar pra frente e seguir adiante. É difícil pra caralho se desligar de alguém que se gosta. É terrivelmente doloroso na mesma medida em que é necessário. Uma merda. Acho que terei que me virar sozinha de verdade de agora em diante, hein? E ele ainda me respondeu dizendo que o adeus acabou com ele. Achei que ele ficaria aliviado, mas eu não podia dizer isso, não posso dizer mais nada a ele. A conversa acabou. Acabou tudo. Não podemos ser amigos. Não podemos nos falar. Não nos veremos mais. Acabou. Incrível como algumas coisas que deveriam dar certo terminam de forma tão brutalmente erradas... a gente não deveria ter terminado assim... a gente não deveria ter terminado assim com um adeus tão insincero espremido do meu coração fraco e zonzo e das minhas mãos inseguras e amarguradas. Não deveria nunca haver adeus entre nós. Mas há e agora é pra valer. Putaqueopariu! ...so tell me how long before the last one. So tell me how long before the right one. The story is old, I know, but it goes on... Acabei de ouvir isso. Tava ouvindo Smiths e isso acabou de ser cantado no meu ouvido. Fuck! Fuck!Bem, depois de passar uns dias chorando eu agora me olho no espelho e vejo que sou eu mesma, a mesma radical, intolerante e egoísta de sempre. Ele não me mudou. Nem o nosso fim me mudou. Acho que nada vai me mudar. e não é sem uma certa tristeza, uma certa consternação que escrevo isso. Eu mudei em tantos aspectos desde a merda da minha adolescência, mas no que diz respeito ao modo como eu me relaciono com os caras que gosto de verdade, continuo igual. Quando eu não estou apaixonada é diferente, consigo ser legal, gentil, faço concessões. Mas quando eu estou apaixonada eu sou o Mr. Hyde, sou um monstro! Um poço de egoísmo e carência e demando, exijo tempo e dedicação. Fuck. Preciso de ajuda profissional. Eu sou uma pessoa legal. Por que não consigo ser legal e calma e compreensiva e tolerante com os caras de que gosto de verdade? Por exemplo, por que não consigo ser permissiva com os meus objetos de desejo como sou com meus amigos? Dos meus amigos eu perdôo tudo! Nunca fico cobrando nada. Muito pelo contrário...
Ah, foda-se! Vou é ali passar gelol no meu mais novo hematoma no braço porque eu tô sempre me machucando nos lugares mais esdrúxulos porque tenho uma lateralidade pra lá de deficiente...

calendário na parede...

Que droga, preciso de um namorado. É uma droga sentir este tipo de necessidade. Eu olhei pra os dvd’s ali empilhados porque faz séculos que parei de colocá-los em ordem alfabética e aí me ocorreu que tem um monte que eu só conseguirei assistir quando tiver um namorado pra ver comigo. Um monte de filmes de terror ou com cenas de violência que uma mulherzinha feito eu não vai conseguir ver sozinha e que não é a mesma coisa ver com amiga-amigo... Namorado a gente aperta, faz charminho de medinho. É bom ver filme de terror abraçado com alguém que você pode pausar (o filme, não o cara) e dar uns beijos, mas não muitos porque senão o filme não acaba de ser visto nunca. Por enquanto esta é a única razão pela qual eu acho que devo ter um namorado. Bem, na verdade tem uma outra que é basicamente sexo, mas, enfim, isso é uma grande fonte de problemas, isso sim. Eu quero é me tornar assexuada. É a melhor coisa. Mais econômica e menos cansativa. Um dia eu consigo.

No meu calendário de parede o mês ainda é outubro... Acho que isso diz bastante sobre a minha relação com o tempo exterior... :/

Outro dia eu estava andando de metrô de manhã e parecia ser tão tarde, noite mesmo, mas eu achava que não eram nem 10 da manhã. Quando olhei pra relógio do celular, passava um pouco das dez e meia. Mas parecia noite. e quando eu saí da estação da praça do relógio e andei em direção a luz, foi tão surreal. Foi como andar numa máquina do tempo, voltando no tempo. Cada passo uma hora voltando da noite para o dia. Sinto-me tão perdida às vezes... e ainda vem a bendita da literatura pra me foder de vez com a cabeça... Eu queria que a vida fosse mais como a literatura pras outras pessoas também. Às vezes eu ando e é como se tivesse um narrador na minha cabeça me contando a estória que estou vivendo. E aí tem sempre uma trilha sonora. E tem determinados enquadramentos. Talvez não seja literatura, seja o cinema o culpado de tudo. E eu converso comigo mesma o tempo inteiro quando estou só. Acho que deve ser por isso que detesto que desconhecidos inoportunos falem comigo, porque eles me interrompem o solilóquio. E eu não gosto de ter os pensamentos cortados, prematuramente podados por pessoas usualmente tolas e desinteressantes que ficam puxando conversinhas desnecessárias. Eu até entendo a parte das conversas serem bobas porque é difícil começar uma conversa de forma consistente, mas se a pessoa não tem nada que realmente importe pra me falar, por que simplesmente não segue calada? Eu só falo com desconhecidos quando quero dar em cima de forma descarada ou quando preciso de alguma informação ou, a coisa mais rara, quando acho que essa tal pessoa acabe sendo minha amiga num futuro próximo. Mas puxar papo só pra não ficar calada, isso eu acho o fim da picada! Acho coisa pra psiquiatra resolver na base da terapia eletroconvulsiva. Será que eu incomodo as pessoas com conversas idiotas e nem percebo? Será? Caracas... e se eu sou uma dessas pessoas desnecessariamente falantes?? Oh, fuck! Será? Não, não pode ser... Não. Será? Eu não me lembro de fazer esse tipo de coisa, mas eu não me lembro de quase nada mesmo... puuutz...

Ah, lembrei de uma coisa que eu queria escrever! Uma colega de trabalho recebeu de um aluno da 5ª série um jogo que veio numa dessas revistas “femininas” e que se chama jogo do prazer total. Além de ser um problema ter esse tipo de material circulando na mão de crianças, o conteúdo do tal jogo era de um artificialismo brutal! Tinha até a dica da hora da mulher soltar um gemido de prazer ao acariciar o parceiro. Affff! Além de dar as receitas de como enlouquecer seu homem na cama, ainda ensina até a hora certa pra gente gemer. É muito escroto isso! Muito escroto. Eu quero saber se nas revistas “masculinas” tem matérias ensinando os caras a dar prazer pras suas respectivas namoradas/esposas/whatever porque fiquei curiosa sobre a contrapartida. Outra dúvida: porque as revistas ditas masculinas só têm mulher pelada e nas ditas femininas não tem homem pelado? Acho isso tão injusto! Talvez eu até comprasse essas Cláudia e Criativa da vida se viessem com uns caras gatos pelados, mas não igual aos da G magazine porque eles colocam os caras de um jeito tão gay que pra mim fica brochante. Já imaginou que legal seria ler uma reportagem sobre os lançamentos do mundo dos cosméticos numa página e na outra ver um cara gato num ensaio sensual?! Muito melhor do que ficar vendo editorial de moda com as anoréxicas de sempre que deixam as leitoras se sentindo gordas e mal-vestidas. Acho que em revista de mulher só deveria ter foto de homem! :> As lésbicas que me desculpem pela exclusão, mas aí é só fazer uma revista mais específica, de mulheres homossexuais e colocar as reportagens de interesses específicos e uma mulherada pelada também. Acho que todo mundo deveria ter produtos ligados aos seus interesses de consumidores, de cidadãos, etc. É sério! Por que não?
Bem, acho que tô viajando demais. Melhor ir dormir. E ficar pensando em que beldade eu colocaria na capa e no ensaio sensual do primeiro número da minha revista feminina... mmmmm.... :>

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

um copo de cólera

Comecei a ler outro livro hoje. Não, eu ainda não terminei de ler os outros tantos que havia começado antes, mas é que eu precisava começar este. Eu estou querendo lê-lo há séculos: um copo de cólera, do Raduan Nassar, o mesmo de lavoura arcaica, meu livro favorito! Eu nunca achava esse bendito pra comprar, mas como eu soube que ele só escreveu esses dois livros e um outro chamado menina à caminho, agora que sou uma adepta do estantevirtual, o encomendei esta semana e ele chegou hoje e aí eu precisava lê-lo. Ah, a compra foi uma bagatela, assim como o menina à caminho que – espero eu – chegue amanhã às minhas mãos. Ele é um livro fininho e pequeno e está com a capa velhinha, mas o que me importa é o conteúdo, o que me obriga a fazer analogias dele com os homens em geral, que costumam me prender mais pelo conteúdo perturbador do que pela aparência. Não que eu tenha algo contra livros novinhos, capa-dura, letras douradas and stuff, ou contra homens igualmente bonitos como livros novos e bonitos, mas é que os que não são bonitos e nem atraentes à primeira vista, pelo conteúdo, conseguem me deixar totalmente apaixonada e atordoada.
Ainda não terminei de lê-lo e sinto que terei que relê-lo na seqüência porque ele é foda. Não tão impactante quanto lavoura arcaica, mas é bem denso. E sem pontos. Quer dizer, tem pontos finais ao final de cada capítulo o que me faz ler como se eu estivesse correndo uma maratona. Chego ao final dos capítulos sem fôlego! É ótimo isso! É lindo! É mágico!
Enfim, tive que parar porque as minhas amigas que estavam aqui em casa estudando foram embora e eu precisava fechar a porta e tals e aí resolvi escrever sobre como eu gosto da forma como o Raduan escreve sobre sexo. Adoro! Ele escreve de uma forma que não é nem tão pornográfica e nem tão puritana quanto eu estou acostumada a ler ou a pensar, o que me dá uma perspectiva totalmente diferente do que eu não sei mas imagino. Eu gosto de ouvir homens falando sobre sexo ou então ler o que eles escrevem porque é um lugar no qual eu jamais estarei porque só posso sentir as coisas a partir do meu ponto de vista de mulher, por mais que eu possa tentar imaginar como é... Gosto de ouvir meus amigos falando sobre sexo e gosto de saber como as coisas mais simples podem ser assustadoras ou o contrário: como coisas que são totalmente mitificadas e mistificadas pra mim, são simples pra maioria dos caras ou, pelo menos, pra os caras normais porque eu considero meus amigos normais. Se eles têm alguma tara que eu consideraria anormal (pedofilia, necrofilia, cropofilia, etc...), eles nunca me disseram, so...
Eu tenho pensado muito sobre sexo e suas implicações. Penso, não fantasio. Não sou muito chegada em fantasiar, prefiro viver, experimentar. Fantasia comigo é só o sonho de ganhar na loteria até porque isso é algo que provavelmente não viverei nunca... então dá-lhe fantasia sobre a minha vida de multimilionária da megasena acumulada... O resto eu penso, eu reflito, eu questiono, eu debato, rumino. Inclusive sexo.
Incrível como uma coisa tão básica na natureza humana pode ter conotações tão diversas da sua natureza fundamentalmente fisiológica, especialmente quando se trata da sexualidade feminina... Nossa, isso dá tanto pano pra manga que eu fico com preguiça até de começar a escrever aqui, até porque meus pontos de vista são absolutamente pragmáticos neste sentido: eu não sei sobre as outras mulheres, mas eu preciso de sexo. Ponto. É uma necessidade tão primordial quanto qualquer outra que envolve auto-conhecimento, auto-preservação e uma boa dosagem de auto-destruição. É como usar drogas, em suma. E eu sou adepta delas, claro. Eu bebo socialmente = álcool é droga. Eu tomo altas doses de cafeína seja em café, em chás ou nos chocolates que eu faço questão absoluta de ingerir. Bem, eu não fumo, mas é que cigarro é estúpido e faz as pessoas parecem mais estúpidas que álcool, na minha opinião, e quem fuma fica o tempo inteiro fumando, quem bebe, não necessariamente. Enfim, o meu ponto é, a humanidade usa substâncias pra sair de seu estado “normal” de consciência desde desde e, pra mim, isso é tão necessário quanto o prazer que o sexo oferece e pode ser tão perigoso quanto. Isso tudo me leva a crer que eu deveria ter continuado virgem porque aí nem saberia sobre como é sentir vontade de algo que precisa – na minha opinião – necessariamente do consentimento & envolvimento/participação de outra pessoa. Esta parte, aliás, é a pior de todas no que diz respeito à sexo. Nem sempre eu tenho um homem disponível pra mim. Quão frustrante... ainda não aderi à política de pagar por sexo, o que eu considero uma coisa bem aceitável no "universo masculino" e que deveria ser mais amplamente difundido no "universo feminino", o que diabos seja lá que isso signifique. E também não estou tentando esmiuçar todas as questões sociais por trás do fenômeno da prostituição, eu só estou dizendo que, às vezes, é bem mais simples (= melhor) você manter uma relação estritamente financeira/profissional com alguém do que ter que se afundar em afetividade pra se conseguir sexo. Sexo é só sexo, poxa vida. Tudo o mais foi um tanto de coisas que nós penduramos nele! Deveria ser muito mais simples. As pessoas deveriam poder ser mais livres no que diz respeito ao uso de suas genitálias. As pessoas deveriam se encontrar, trepar e pronto, depois cada um vai pra sua casa, a não ser que as pessoas realmente quisessem passar mais tempo juntas e fazer outras coisas fofas que casais fazem ou até mesmo procriar. Mas não deveria haver tanta imposição tanto freio tanto cerceamento tantas normas sociais e tanto bafafá em torno de algo tão simples entre adultos, que isso fique bem claro que estou falando de adultos no poder de suas faculdades mentais. Sexo é coisa pra adulto responsável por seus atos, não é pra adolescentes o que deve soar extremamente reacionário, mas é o que penso até porque é verdadeiramente deprimente ver garotas do ensino fundamental irem pra escola com seus barrigões precoces e suas vidas semi-arruinadas pela irresponsabilidade.
Talvez essa minha estória de liberdade e sexo seja revolucionário demais pra nós humanos no estágio em que nos encontramos... Enfim, vou é terminar de ler meu livro antes que eu fique deprimida pensando em todas as coisas que eu deveria poder fazer sem ser taxada de marginal perante a sociedade que tanto me oprimi e reprimi mesmo nas minhas necessidades mais básicas até chegar ao ponto de me fazer questionar a respeito do que diabos vem a ser a minha dita humanidade e civilidade...

sábado, 15 de novembro de 2008

bebidas

bem, acordei há praticamente meia hora. quer dizer, tive que acordar infinitas vezes até conseguir realmente ter um sono ininterrupto lá pelas 14h, o que me deixou bem debilitada. sou uma pessoa que precisa dormir bastante. mas a bebida não me deixou dormir bastante, quer dizer, o abuso de ontem a noite não em deixou dormir initerruptamente porque cheguei em casa já passando mal horrores e taí a coisa que me deixa puta sobre eu não aguentar praticamente nada em termos de bebida... sou uma mulherzinha... que droga.
não me arrependo das coisas que faço bêbada até porque beber tem que servir pra alguma coisa mais que me fazer rir e ficar simpática; o que me irrita é não aproveitar as coisas que faço bêbada como eu aproveitaria se não estivesse bêbada, mas isso é um paradoxo insolúvel já que eu não faria nada se estivesse absolutamente sóbria e tímida e introspectiva como sempre, então não teria nada mesmo o que aproveitar. :/
festinha de aniversário do meu amigo foi ótima! revi as conversas loucamente divertidas com amigos que eu amo demais mas com os quais não tenho passado nenhum tempo de qualidade ultimamente porque eles gostam de bar e eu de festas pra dançar... enfim, sei lá, vai faltando tempo pra acompanhar o ritmo frenético de aventuras da galera. eu tenho 31 e estou apreciando ficar em casa vendo dvd's e comendo porcarias que eu peço pelo telefone. and proud of it!!! :>
mas de vez em quando é ótimo abusar de tudo o que se tem disponível sem ter que me preocupar com nada porque, vamos e convenhamos, qual seria o motivo de minhas preocupações pra este sábado? nenhuma! eu sou uma pessoa cuja maior preocupação - atualmente - é qual o próximo livro que lerei. até minha sorte de hoje no orkut fala a respeito disso: Sorte de hoje: Comece a ler um livro hoje.
a vida chegou num ponto ímpar pra mim: eu não tenho absolutamente nada com o que me preocupar porque qualquer preocupação seria à toa... minha saúde tá boa (descontando o dia de hoje claaaaaaro!), tenho um emprego, uma casa, a UnB tá indo bem... obviamente existem coisas com as quais eu poderia me preocupar como: será que continuarei dando aula na mesma escola porque eu realmente gosto de lá e gostaria de continuar lá? não há como eu ter a resposta pra esta pergunta, portanto seria irracional ficar sofrendo por antecedência com isso. posso me preocupar com o rombo crônico na minha conta do banco, mas só me preocupar não adianta porra nenhuma, eu tenho é que me organizar.
posso ficar preocupada com o fato de não ter um namorado, mas isso acho que é a preocupação mais sem fundamentos do mundo já que não é uma questão para a qual eu possa impor minha decisão pra o Universo. o Universo não gira ao meu redor e nem respeita minhas decisões desse modelo. outras até que ele respeita, mas essas não. eu posso em preocupar com as pessoas que gosto e, normalmente, faço isso bastante, mas, sejamos francos, cada um é que deve se preocupar consigo mesmo, preocupar-se em não fazer tantas merdas que poderiam ser evitadas e viver a vida de forma bacaninha. se a pessoa quer fazer merdas e chafurdar nelas, de que vai adiantar a minha preocupação? eu agora procuro não me preocupar tanto com os outros, fico mandando pensamentos positivos e, se me pedem ajuda e eu puder fazer algo a respeito, eu ajudo. é bom poder fazer algo pelas pessoas que eu amo e respeito e que quero ver felizes pra sempre! pode ser até pregar um botão de uma camisa, como já aconteceu no trabalho. eu me sinto feliz e útil. chega de preocupações abstratas, melhor me manter no nível do mundo real e suas contingências extremamente palpáveis.

enfim, seja como for, adorei a noite passada cheia de flashbacks e álcool e conversas maravilhosamente divertidas e tudo o mais que aconteceu porque eu abusei de tudo e me senti compelida a fazer algo por mim mesma sem pensar em mais ninguém. egoísmo? sei lá. e quem se importa se for? eu posso fazer coisas porque eu quero e posso fazê-las. e foi ótimo! pena que meu organismo tenha planos totalmente diferentes... :>

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

platonicamente assexuada?

Pois bem, estou ouvindo Los Hermanos (quem sabe o que é ter e perder alguém sente a dor que senti...) de novo, comi um monte de bis e vi uma comédia romântica... pois é, eu vivo me repetindo, né? é... Mas, enfim, a comédia romântica que acabei de ver me caiu feito uma luva... não o final feliz, obviamente, mas a parte em que a protagonista que leva um chute na bunda diz que foi assustador perceber que ainda iria amar de novo. Ah, o filme é alguém como você. É bonitinho! É que o pior é isso mesmo, sabe?, quando cai a ficha de que o namoro acabou: eu vou passar por esta merda de novo. Provavelmente por indefinidas vezes, ou pelo menos enquanto meu coração não for todo de pedra... :/

it sucks!

Imaginar que me apaixonarei e talvez seja correspondida até certo ponto e daí terei o coração partido em pedacinhos e ficarei miserável durante muito tempo e aí ficarei entorpecida durante outro tanto de tempo e, quando eu achar que estou legal, lá vem outro pra me arrebatar e – adivinhem – me quebrar as pernas!
Solução? 1. daqui pra frente eu volte aos tempos de adolescente e só tenha amores platônicos... puuutz... que merda. Detesto ter que recomeçar. Eu acho que gostaria de acreditar em amor eterno só pra não ter que recomeçar, achar um cara e amá-lo pra sempre e ser amada pra sempre pra não ter que recomeçar com outro nunca mais. Ai como detesto esse tipo de recomeço... mas, enfim, pra quem não é tão adepta do platonismo, é inevitável, né? ou seja, a opção 2. é me tornar assexuada, mas acho que não consigo. Até fico sem sexo por longos períodos (não por vontade própria, a verdade seja dita), mas eu continuo me interessando por caras, continuo os achando interessantes fisicamente. Continuo dividindo-os entre comestíveis e não comestíveis. Claro que eu não saio por aí jantando homens todas as noites (não por vontade própria, a verdade seja dita), mas ainda posso sonhar, né? :>

Confesso que fico chateada com o Denzel Washington e com o Chico Buarque porque eles não assumem que me amam loucamente, mas, enfim, eu os perdôo porque eles não me conhecem. Quanto aos outros homens, esses que ficam me fazendo ter que recomeçar, a esses eu jamais perdoarei!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

shopping problem...

Meus deuses do cartão de crédito e dos empréstimos consignados! Entrei na siciliano pra comprar um livro. Um único livro: a breve história do mundo. Era só isso, entrar, pedir pra algum vendedor me entregar um exemplar, ir até um caixa, pagar e sair. Coisa simples e rápida.

Saí de lá muito tempo depois, com dois livros e nenhum deles era a breve história do mundo...

Eu só lembrei do bendito livro quando já estava no ônibus voltando pra casa, isso depois de ter passado na farmácia, na renner, e – pra fechar com chave de ouro as gastações – nas lojas americanas. Pelo menos eu comprei os dvd’s que realmente gosto muito e pretendo rever várias e várias vezes.

Tenho um problema com compras: meu limite do cartão de crédito... :/

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

deferido ou indeferido?

Levando-se em consideração que:

- ainda não morri de calor nessa Brasila eterna;
- não morri atropelada pelo entregador do verdurão em sua bicicleta;
- não ganhei na loteria apesar de jogar pelo menos quinzenalmente;
- as férias estão a mais de um mês de distância;
- o Obama ganhou as eleições;
- o Apocalipse ainda não aconteceu;
- ainda consigo manter conversas coerentes com outros seres humanos apesar de sermos animais muito esquisitos;
- tenho tido idéias estranhas sobre a função dos relacionamentos amorosos;
- ainda não terminei de ler “a vida como ela é” e nem “romance negro” porque agora comecei a ler o livro dos 50 contos do Machado de Assis;
- preciso separar umas roupas que não uso mais pra doar;
- estou tentando não me estressar no trabalho que, aliás, tornou-se minha principal fonte de estresse deixando minha família em segundo lugar;
- preciso arrumar umas coisas aqui em casa que estão fora do lugar há séculos;
- continuo amando o dia quando chove de noite e as cores ficam intensas e tudo é fresquinho e iluminado;
- adoro chá gelado, mate ou preto;
- os homens me deixam desorientada quando me atraem;
- a montanha-russa emocional persiste em persistir(!);
- aprendi a sincronizar legendas e agora estou viciada nisso; e
- faz tempo que não tomo sorvete de pistache com licor de menta,

Resolvi baixar meu consumo de café no trabalho.

Que os deuses me ajudem nesta empreitada.

domingo, 2 de novembro de 2008

férias de mim

Pois é, Brasil, ontem a noite fiquei sem internet e, pra me entreter, fui limpar a casa... :/
A louça não deu tempo de lavar, deixei pra hoje. Agora falta o ânimo... deixei-a em stand by pra pensar no caso dela daqui a pouco quando eu terminar de escrever isso daqui.

Hoje fui acordada por uma mensagem perguntando se tinha que cobrir o fundo da tela de branco antes de se pintá-la. Na hora achei que era outra pessoa, acordei meio desorientada, como sempre, e até fiquei aborrecida por ter sido acordada às 12h39 por uma mensagem com esse conteúdo. Depois de tomar uns dois copos d’água pra amenizar a sede e o calor (sempre acordo com sede, mas neste calor dos infernos que tem feito nessa Brasila eterna ultimamente, a coisa piora), me acalmei e respondi. Eu bem que gostaria de saber o que ele está querendo pintar. Gostaria de vê-lo pintar... Penso muito nele, no que ele tem feito, se está bem... os laços não se rompem tão facilmente. Bem, alguns sim, especialmente porque minha memória é um lixão. Enfim, com as coisas que têm acontecido ultimamente, tenho dado ainda mais valor ao que a gente tinha, que era profundo.
Agora me sinto na superfície. Na superfície das pessoas e das situações. Isso não é necessariamente ruim, é só bastante diferente. É preciso me adaptar a este momento novo. Muito novo. Preciso entender que é preciso viver um dia de cada vez e aproveitar o que esse dia tem de bom. Aproveitar o melhor lado das pessoas que me cercam, sem nenhuma cobrança nem expectativa. Parar de tentar saber tudo de antemão. Parar de querer saber qual o meu papel, o que eu significo exatamente. Nem sempre dá pra se saber exatamente de coisa alguma. É bom deixar que tudo flua. Só isso. Eu sei que sou uma control freak, e é por isso que acho que as coisas têm acontecido da forma que acontecem: preciso parar de pensar e viver. Só viver. Ou pelo menos não deixar que tudo o que eu penso seja um freio.
Por que eu não posso me permitir viver o que quero viver? Não o que devo, ou que posso, mas o que eu quero, seja isso certo ou errado. Certo ou errado pra quem, afinal? Preciso parar de pensar tão preto-no-branco assim. Eu me esqueço das nuances... me esqueço de todos os matizes entre o sim e o não, o certo e errado... tento me policiar, mas às vezes esses julgamentos puritanos são mais fortes que eu.
Pois bem, que se foda tudo! Tô de férias! E vou aproveitar essa viagem de todas as maneiras. Tô de férias de mim.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

punição divina?

Eu obtive aquilo que queria.
Os antigos gregos tinham razão: quando os deuses querem nos punir, realizam nosso desejo...

Sinto como se eu estivesse sempre caminhando contra o fluxo da multidão. Eu sozinha tentando chegar do outro lado de uma rua que parece não ter fim, só gente. Gente me empurrando de volta ao meu ponto de partida. E eu tentando desviar do turbilhão e chegar do outro lado que é onde eu sinto que deveria estar. Eu sei que preciso ir pra lá. Mesmo quando o meu corpo quer simplesmente ser levado pelo fluxo. Não sei quando foi que comecei essa coisa de fazer aquilo que eu acho certo no matter what... Ai que droga! Fazer a coisa certa é uma bosta. Mas eu não posso evitar... Será que é a coisa certa? Bem, espero que seja... Tem que ser. Tem que ser.
É que a coisa errada parece tão mais atraente... linda mesmo, como olhos azuis pequenos e cintilantes me fitando de soslaio e sorrindo... é céus. Tem que ser a coisa certa.

Ai ai ai...
E agora, José?
E agora que Inês é morta, não adianta chorar pelo leite derramado que águas passadas não movem moinhos.
O lance é pegar o limão que a vida dá e fazer a limonada...
ou uma caipirinha, se eu tiver sorte...
Céus! Essa minha cabeçona-de-mamão vazia é o próprio playground do demo! afff...

Melhor eu parar de pensar nesse capítulo de minha vida que mal começou e já tem que terminar, e ir dormir que daqui a algumas horas tenho que estar de pé enfrentando o trabalho... bendito trabalho... ai ai ai...

domingo, 19 de outubro de 2008

chegadas

Cheguei de viagem hoje. Queria poder sempre chegar de viagem nos lugares. Ser uma cigana. Uma errante. Vagar por aí. Poder ir a qualquer lugar pelo menos potencialmente.
Pois bem, cheguei em casa. Pra me dar as boas vindas: muriçocas. Por que, diabos, tem que existir insetos chupadores de sangue, do meu sangue? Putz, não basta eu ter leucopenia, anemia crônica e um coração mole ainda tem essas malditas insetas!

Andando pela avenida paulista eu pensei, hoje, que essa sensação de eterna estrangeira é como a minha leucopenia: crônica e os remédios mudam números, mas não a sensação... é que os remédios nunca me fizeram sentir mais saudável ou melhor (?), menos doente. Parei com eles. Parei de negar a sensação de eterna estrangeira. Preferi abraçar essa sensação. De certa forma é ela que me deixa boquiaberta com as coisas pequenas e lindas e singelas dessa cidade e de todas as outras que eu não conheço bem, que nunca conhecerei. Sou superficial. Geografia não é minha vocação. Etc, etc, etc. muitas desculpas pra me manter afastada de tudo que possa roubar demais minha atenção.

Escrevi um e-mail muito sincero agora pouco. Depois, pensando no que escrevi, achei que ficou até bonito. Estranho como a sinceridade me espanta! É surpreendente que eu ainda possa ser sincera mesmo me contradizendo tanto! É que é tudo verdadeiro no momento em que digo que estou sentindo. Foda é perceber, momentos depois, que já não me sinto exatamente assim como antes... Certas coisas não mudam assim tão facilmente, como o meu amor pelas minhas amigas e amigos ou a ojeriza por determinados tipos de “música”, eu gostaria de enfatizar isso porque senão a vida se tornaria impossível pra mim. Eu gosto de rotina. Preciso de rotina. Horários. Disciplina. Eu não recuso toda forma de autoridade. Não odeio as hierarquias desde que elas se justifiquem como necessárias e merecidas. Eu não sou contra as instituições como a família, o Estado e a Igreja. Tenho fortes restrições a elas, mas quem quiser participar delas, desfrutá-las, vai na frente, companheiro! Cada qual com seus problemas e fetiches e, enfim. Cá estou eu na minha casa sendo devorada viva por muriçocas esfomeadas, ouvindo Los Hermanos e tentando fazer de conta que os cafés tomados durante este dia não estão no comando de tudo agora, como se eu fosse uma marionete.

No avião eu vim pensando que seria bom conhecê-lo de novo. Num outro lugar, num momento diferente. Queria conhecê-lo de novo, me apaixonar de novo. Queria muito me surpreender novamente com um homem quando eu não espero mais nada de Bom dos homens. E caminhar de noite em lugares desconhecidos com a sensação de familiaridade e de estranheza que esses encontros de almas produzem. Acho que deve mesmo ser este o problema: nossas almas se encontraram, mas os nossos mundos não. Então acabamos nos encontrando sempre nos sonhos que sonhamos dormimos e principalmente nos que sonhamos acordados... vai saber... vai saber... quem é que pode viver de sonhos? Vai saber...
Talvez um dia nossos mundos se encontrem, colidam e se fundam. Até lá, não tenho nada melhor pra fazer a não ser viver. E o Amor que encontre o caminho dele, ora bolas!

Será que isso é possível, se apaixonar duas vezes pela mesma pessoa? Eu escrevi isso pra ele hoje. Foi com sinceridade que escrevi. Se amanhã ainda sentirei isso, melhor nem tentar adivinhar... prefiro me concentrar em acertar os números da loteria. É sério isso. Seríssimo!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

meu tronco, meu galho

estranho como nesta montanha-russa emocional as coisas me chegam com tanta intensidade e depois simplesmente desaparecem.
serão os hormônios?
a idade?
o aniversário chegando e, com ele, a marca dos 31? se bem que eu costumo gostar de comemorar meus aniversários porque, enfim, acho que é um prodígio alguém instável como eu conseguir sobreviver à mais um ano de vida...

lembro dos caras de que já gostei, do estrago que fizeram e do estrago que eu mesma causei neles e em mim... aí eu digo pra mim mesma que o melhor é nunca mais me apaixonar. amor então, nem pensar! tá louca?!
três segundos depois, se eu ouvir uma música bonita ou se eu vir alguma cena bonita na rua, nem que seja um galho dançando no contrastante azul desse céu, eu penso que fui feita pra me apaixonar. não exatamente pra ser amada, ou pra ter um relacionamento duradouro, o que seria ótimo agora, mas eu fui feita pra me apaixonar no matter what. mesmo que seja por um cara que não goste de mim, ou por um que esteja à quilômetros do meu alcance ou ainda por um que só exista na minha imaginação. não importa. talvez isso seja o traço mais forte da minha imaturidade. o segundo é querer tudo pra ontem. daqui a pouco é uma eternidade pra mim. quem não pode me dar o quero agora, já não é bom o bastante pra o meu desejo que prefere o nada do que a metade.
preciso crescer, eu sei. preciso de verdade. é patético uma mulher de 30 anos, quase 31, agindo de forma tão inapropriadamente adolescente. infantil no pior dos sentidos. mas como é que a gente decide quando e onde crescer? como se abandonam algumas características que parecem estar absolutamente enraizadas naquilo que poderíamos definir como o nosso Eu? como é que se faz isso? como a gente arranca um galho podre do nosso próprio tronco?

aceito sugestões que não envolvam adesão a movimentos religiosos.

obrigada.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

soco

hoje eu ganhei um soco nos rins.
hoje eu ganhei um soco no estômago.
foi certeiro.
chute no estômago.
muita porrada.
estou tonta. perdi a noção de tempo e de espaço. ficou difícil concatenar as idéias. agora já tô menos embriagada porque a dor deixa tudo turvo.
como é q se anestesia um coração?
há aspirina pra o coração q acabou de levar uma porrada?

nada como um dia depois do outro pra provar como a merda do tempo simplesmente não passa.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

sertão

eu sei exatamente o que eu quero.
eu o quero.
mas esse não posso tê-lo.
uma bosta, né não?
eu ia escrever né não, santa, mas mudei de idéia. sei lá de onde baixei esse santa. hoje de noite tô com isso na cabeça. sabe-se lá de onde vêm essas palavras...
acho q sou bem mais nordestina do q poderia supor tendo nascido aqui no DF... :/
sabe-se lá de onde a gente vem, afinal...
devo ter vindo do sertão do Cabrobró mesmo
porque pareço com a caatinga
e mesmo com tanta água jorrando dos olhos, me sinto seca, ríspida, um deserto faltando pouco, pouquinho mesmo
as noites longas
os dias intermináveis
e quentes
porque eu detesto calor
este é o meu inferno: quente como a porra desta cidade agora
é engraçado imaginar a porra da cidade...
a cidade gozando...
de repente todos os boeiros jorrando esperma
rio sozinha
não tenho pra quem contar essas coisas sem sentido que vão fazendo o percurso do fundo das minhas idéias até às pontas dos meus dedos
e as idéias vem e vão, como as palavras, numa maré q morre em ressaca nesse teclado empoeirado
lembro sempre dos olhos de ressaca da Capitu embora nunca os tenha visto
olhos de ressaca...
acho q deve ser uma das coisas mais dolorosas pra uma pessoa q ama enxergar nos olhos do ser amado...
agora fiquei triste pq estou aqui e ele tá em outro lugar
num universo paralelo
e ele me lembra o mar
e deve estar com outra menina agora e sei q isso é mais q normal porque, no final das contas, eu tô sempre só mesmo
eu sou a caatinga bruta e ele é o mar
indo e vindo
indo e vindo
sempre longe
nunca perto
sempre aqui nas minhas memórias forjadas porque eu não consigo manter as memórias verdadeiras... elas se apagam quando fecho os olhos pra lembrar
nunca lembro das coisas como aconteceram
sempre tenho uma versão do diretor prontinha pra viagem
lembranças fast food, sabe?
não sei se há outro jeito de se lembrar da vida...

e sinto uma saudade infinita de conversar com ele, de poder falar e ouvir
falar e ouvir
diálogo, não solilóquio
queria poder conversar horas e horas e horas sobre tanta coisa que acho q nem saberia por onde começar e ficaria muda por muito tempo esperando as idéias se acalmarem na minha cabeçona de mamão
conversar...
tem tanta coisa aqui, tanta coisa sobre a Vida, a Morte, a Arte... mas as pessoas só querem falar de novela, da vida alheia e de tantas outras idiotices q de nada me interessam
q diabos me interessa saber da vida de fulano ou cicrano da tv? eu não tenho nada com isso!
tão pouco me interessa a vida dos meus vizinhos, da parentália ou dos colegas de trabalho! eu não quero saber da vida de seu ninguém! eu mal dou conta da minha! eu não dou conta nem da minha vida, como é q posso ter tempo pra me interessar por fofocas?!
eu até gosto quando as pessoas me contam sobre suas vidas, as pessoas q eu conheço e com as quais me importo, fique registrado, pq detesto desconhecidos me tratando como se fôssemos amigos de infância. só me angustia não poder fazer nada além de ouvir pq cada pessoa deve fazer o q considera melhor pra si. e eu só posso ouvir. às vezes até faço algum comentário, mas duvido q isso possa ajudar alguém. acho q o q ajuda mesmo é só desabafar. é bom poder desabafar. eu tb gosto, às vezes. mas minha vida é chata, nada de novo acontece e eu não tenho muito - na verdade é quase nada mesmo - pra desabafar. só tenho reclamações. aí venho aqui e vomito tudo. vomito até o último suspiro. pq escrever é preciso. escrever é tudo o q eu realmente posso fazer pra me sentir livre. mas eu sei q nunca fui e nem nunca serei livre. ninguém é. sinto muito, humanidade, somos todos prisioneiros da nossa bendita sociedade, seja lá qual ela for.

capaz do meu nariz começar a sangrar agora...
capaz de começar a chover agora...
capaz d'eu dormir agora...
capaz de todo o desejo em mim simplesmente sumir agora bem assim puff! sumir...

q desperdício esse coração tão cheio e as mãos tão vazias...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

?

você já quis fazer algo realmente estúpido? é, algo assim que você sabe que não deve fazer porque terá muito mais consequências negativas do que positivas se não agora, daqui a pouquinho?
pois é, estou tentando lutar contra minha propensão ao erro. fortemente. mas a tentação da queda é tão grande... é como olhar pra o chão do alto de um edifício: tentadora a queda.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

a rosa

lembro de ter lido uma vez num poema que o poeta andava torto por causa dos mortos que carregava consigo num lado.
lembrei disso porque escrevi que terei uma lembrança comigo como uma ferida aberta.
uma dor que me acompanha e ao invés de cicatrizar, floresce como uma rosa. acho que tatuarei uma rosa vermelha no peito bem em cima da dor.
tatuagem dói pra ser feita. talvez dê pra compará-las, uma sobre a outra
uma latejando sobre a outra
cada uma pulsando no meu peito
eu nunca quis tatuar essas coisas bobas, clichês, mas acho que uma rosa é necessária no peito que dói. não uma rosa desabrochada plenamente, uma que dê a sensação de que ainda falta um pouco pra alcançar sua plenitude. porque sempre há o que doer em mim. a dor é sempre superável por outra pior... quando acho que já doeu tudo o que havia pra doer, lá vem outra onda e... me arrasta pra o fundo do mar...
uma rosa vermelha. vermelho carmim, como o sangue.
porque eu detesto sangue de verdade, mas adoro vermelho sangue.
tatuar pra não me esquecer o que tenho vivido até aqui. tudo pode ser condensado num desenho. toda a vida pode estar ali, naquele rastro de tinta sob a pele, cravado nas entranhas, marcado como o rosto duma puta velha.
mas que ninguém me pergunte o motivo de ter tatuado uma rosa piegas e vermelha no peito porque não quero lembrar da dor que ela representa ali cicatrizada no meu peito. a dor que não cicatrizará. a própria Vida e suas escolhas ridículas e inúteis e, porra!, odeio ter que deixar a Vida decidir por mim. tenho vontade de passar-lhe uma bela duma rasteira e gargalhar de sua cara imbecil. hahahahahaha, toma no seu cú, Vida filha da puta! hahahahahahahahaha
um dia ela me paga!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

perfeição



















eu sabia que deveria haver alguma razão pra eu acordar cedo...

sábado, 23 de agosto de 2008

constrangimento

sabe uma coisa que é bem chata e frequentemente me acontece? o que acabou de me acontecer: alguém liga perguntando se eu vou pra festa x e eu digo que nem tô sabendo. não recebi e-mail. não, também não me telefonaram. {mas os caras não são seus amigos? pois é, também achei que fossem. }
- você quer que te passe o e-mail?
- não, não precisa.
pelo menos as pessoas podiam mandar os e-mails avisando das coisas pra pessoa do outro lado da linha não ficar constrangida pelo fato d'eu não ter sido convidada e ter ficado sabendo do evento por outros que não os amigos-organizadores...

engraçado como eu sempre me considero mais amiga dos outros do que os outros de mim. deve ser por isso que venho tendo cada vez menos vontade de sair. às vezes não reconheço ninguém. não faço idéia de quem são aquelas pessoas que eu abraço e beijo. eles não me ligam. eu não ligo pra eles. a gente não conversa nem pelo msn. por que eles ainda me convidariam pra qualquer coisa? é, bem, chega um momento em que é melhor aceitar os fatos e jogar a toalha, pendurar as chuteiras. eu não tenho tantos amigos quanto imaginei que tivesse. deve ter umas três ou quatro pessoas a quem eu posso realmente chamar de amiga/amigo, mas não sei por quanto tempo. sou uma péssima amiga. não é à toa que o círculo está se fechando cada vez mais...

- a gente passa aí pra te pegar às dez.
- não vou mais não... {brochei pra vida hoje de novo. ficarei em casa comendo lasanha da sadia, depois sorvete - pelo menos é Häagen-Dazs! - e ficarei acordada até de madrugada vendo dvd's}
ontem eu estava animada. hoje não tô nem um pouco. quanto mais fico em casa, mais quero ficar. não quero sair daqui nunca mais. de jeito nenhum. pra fazer nada por mais interessante que pareça. talvez parecesse legal ontem enquanto eu ainda tinha vontade de sair e dançar. hoje não quero nada.
este desânimo é culpa de ontem. eu só aguento sair uma vez por semana. e não é por falta de forças pra dançar, é por falta de forças pra encarar pessoas se divertindo, na pegação, bebendo e tudo mais, e eu ali tentando fazer de contas que tudo está bem. tudo está bem. repita comigo, Verônica: tudo está bem.

garotos

Fui a uma festa ontem e me dei conta de que não gosto de homens. Gosto de garotos. Os caras que eu achei bonitinhos ontem eram todos garotos. Não tinha nenhum homem. Bem, concordo com a teoria de que no fundo todos os homens são garotos, mas digo em termos de aparência. Gosto de garotos. Carinhas com brinco, bermuda, meia e tênis, camisetas bacanas. Uns com barba, outros sem barba. Uns cabeludos, com dreads, cabelo black power, outros carecas, com bonés... Mas nenhum homem. Nenhum Clive Owen com aquele queixo quadrado lindo e aquelas manoplas lindas e camisa social e calça social. Sofro da síndrome de sininho: gosto do Peter Pan, daqueles que não crescem, pelo menos na aparência. É pedir demais por um cara maduro, homem feito, porque eu sou imatura freqüentemente, embora não continuamente.
Ah, caras arrumadinhos, engomadinhos também não gosto. Parecem todos barbies no pior dos sentidos. Dá vontade de chegar e despentear o cabelinho deles só pra ver o piti. Frescura demais não dá. Higiene pessoal é ótimo, claro, mas é outra coisa. Higiene pessoal não tem a ver com aquele ar de quem ficou horas se arrumando pra ficar impecável. O cara ser vaidoso, querer se cuidar, é ótimo, é mesmo, mas não me desperta nenhum interesse além da curiosidade antropológica. Homens da geração metrossexual não me atraem. Também não precisa ser um ogro, um camarada que tosta no sol mas não passa a porcaria do filtro solar. Ficar vermelho camarão é uma preocupação estética válida.
Resolvi, então, fazer uma lista das coisas que acho mais medonhas nos caras, coisas brochantes.
1. cigarro
2. chicletes: são as piores na minha opinião. Acho-as brochantes porque me dão a mesma sensação de que não se trata de caras, mas de ruminantes. São absolutamente desnecessárias. Não consigo nem ficar olhando caras fumando ou mastigando chicletes, a não ser quando são só amigos mesmo. Ai que agonia!
As outras coisas da lista não estão em ordem hierárquica, o que vai fodendo tudo é o acúmulo delas...
- sapato caramelo
- cinto caramelo
- tênis com meia social
- sapato social com meia branca
- sapatos brancos
- calças brancas: ninguém, a não ser bicheiros do Rio de Janeiro, deveria usar sapato branco. Ninguém. Calça branca está liberada pra bicheiros e pra pessoas religiosas. Só. A galera da saúde que use verde-água, rosa bebê...
- careca com rabo de cavalo
- óculos escuros na cabeça
- caras que chegam falando das coisas que possuem
- tatuagens de modismo: tribais, índios norte-americanos, etc...
- caras bombados
- camisa pra dentro da calça
- dente amarelo
- pochete
- blusa de frio pendurada nas costas
- abadá de micareta: putz! Já não basta o cara ter tido a péssima idéia de ir a uma micareta, ele ainda sai desfilando com o bendito uniforme da galera da herpes em plena luz do dia! Ninguém merece!
- gel no cabelo
- mullets
- calças justas
- ser grosseiro com garçons e atendentes de qualquer estabelecimento
- tratar a mãe como serviçal ainda que ela se faça de serviçal
- reflexo ou qualquer outra coisa descolorida nos cabelos
- camisetas ou regatas estilinho babylook

Bem, deve haver muitas outras coisas patéticas pra um cara usar/fazer, mas no momento só lembro dessas, até porque tomei uma xiboquinha inteira ontem, então a memória ainda está falha. A medida em que eu for me lembrando, atualizo este post.

Em contrapartida, há coisas que adoro! Algumas das minhas amigas acham ridículo, mas eu acho lindo! E gosto de saber que existem caras assim por aí. Não que eu me motive a falar com caras só por causa das coisas que eles têm que eu gosto. não estou numa fase de sair abordando caras. Talvez um dia esteja, sabe-se lá. Mas é bom poder olhar pra um cara e achá-lo bonitinho, apesar de sempre vir aquela sensação de que sou bastante ridícula porque já tenho 30 anos e gosto de caras que parecem ter 20, embora alguns estejam na minha faixa etária.
Talvez seja por isso que eu goste tanto de encontrar meus amigos por aí porque eles são como os caras que eu gosto deveriam ser, tirando coisas como o cigarro e outras particularidades que me mantém apenas boa amiga dos meus amigos e vice-versa. Incrível como algumas mulheres não têm amigos heterossexuais homens. Deve ser porque eles não me acham minimamente atraente, aí não rola a famosa tensão sexual entre nós. Eu amo meus amigos, mas é amor fraterno. O que eles sentem por mim, acho que é basicamente o mesmo.
Coisas que adoro:
1. óculos
2. sorriso bonito: um cara de óculos e com sorriso bonito já tem metade dos pontos garantidos. Carinha de nerd é o que há de mais lindo!!!
- boné
- bermuda com meia branca e tênis
- allstar
- camisetas bem humoradas
- cheiro de sabonete, de banho tomado
- caras imberbes
- com poucos pêlos
- unhas pintadas de preto
- saias ou kilts: acho lindo caras que gostam de quebrar essas convenções sociais. É um ótimo indício, eu acho, de que podem ser menos conservadores em outros territórios mais complexos que o vestuário
- caras que conversam olhando no olho (embora eu desvie meu olhar constantemente)
- cabelo sem corte definido
- calças frouxas
- gentileza
- cuecas à mostra, mas não a cueca toda, só o cós tá ótimo
- caninos salientes, tipo vampirinho e outras coisas como dente um pouquinho quebrado, alguma coisa diferente no sorriso que, no entanto, deve contar com todos os dentes
- gostar de literatura e de cinema que não sejam só os blockbusters da vida
Se eu lembrar de mais coisas, vou atualizando.
Agora vou terminar de estender as roupas, as infinitas camisetas pretas que a máquina nova e novíssimo xodó da mamãe lavou. Espero que ela demore muitos anos pra dar qualquer defeito porque ficar acumulando roupa suja é horrível! E eu gosto de ter roupas limpinhas pela casa secando e guardadas nas gavetas. Adoro cheiro de amaciante!!!
Engraçado isso, eu tenho tantas camisetas pretas iguais! Daqui a pouco fico parecendo o cara do filme A Mosca que só tinha roupas iguais no guarda-roupas. Enfim...

terça-feira, 19 de agosto de 2008

detesto

detesto me sentir assim tão sozinha. parece que a qualquer momento eu sairei correndo de casa, só de cueca, pra abraçar a primeira pessoa que eu encontrar pela frente...

não é a toa que tem tantos tarados pelas noites... bem, eu nunca vi nenhum, mas todo mundo diz que eles existem aos montes...

maldita solidão. só me faz ter idéias idiotas. nada que valha o esforço. afinal, o que fazer quando alguns milhares de quilômetros nos separam do nosso objeto de desejo? amor com dia e hora marcada... quem dá conta dessa merda? eu não dou.
queria poder ligar pra o meu namorado (se eu ainda tivesse um) e dizer quero te ver hoje, e vê-lo. talvez dormir junto com ele, ouvindo sua respiração constante. não consigo dormir juntinho com ninguém, mas só porque a porra da solidão me aperta agora, era o que eu mais queria. uma merda.
mas uma amiga minha disse que isso é saudade, o que eu sinto, e que saudade passa. tomara que passe mesmo. passe pra mim e pra ele. será que ele já dormiu ou continua insone feito eu? eu disse que não queria mais falar com ele. mentira. eu minto muito pra ele. minto porque não dá pra enfrentar a verdade nesse caso não. mas eu digo a verdade também quando é necessário. eu queria esquecê-lo, na verdade. mas na verdade eu acho que não vai dar não. então eu minto e digo que é melhor a gente não se falar. isso não é melhor. não sei nem se é o menos pior. é só o mais prático. mais dia menos dia a gente vai acabar se esquecendo um do outro. já esqueci tanta gente... ele já deve ter esquecido tanta gente também... vai me esquecer. eu sei. outra verdade dolorida. além do mais, tem muito mais mulher no mundo que homem. homens não ficam sozinhos muito tempo. a maior parte não fica sozinho nem pouco tempo! eu já nasci só. cresci só. por que, diabos, seria diferente agora? pelo menos ainda tenho amigas pra me dizer que vai passar...
a solidão é uma merda.
se infiltra em tudo.
até nas músicas que tocam no rádio. nas árvores enormes de raízes enormes. em cada um dos felizes casais que insistem em aparecer na minha frente pra esfregar na minha cara o que eu queria ter e não tenho. odeio casais felizes. não, não odeio não, só sinto uma terrível inveja deles.
agora vou dormir. preciso chorar na minha cama que é lugar quentinho. dois edredons pra dar aquela sensação de aconchego que eu não tenho na minha própria cama... e continuo dormindo bem no meio dela pra fazer de conta que não falta ninguém ali comigo. ninguém que ocupou tão pouco tempo aquele lugar ali ao lado que eu ocupo pela metade pra fazer de conta que nunca existiu. nunca é o bastante. jamais terá sido bastante o tempo que a gente passou junto.
o final é como uma morte. sempre morre um pedaço de mim. e de pedaço em pedaço, o que sobrará de mim em mim? deve ser por isso que ando tão mudada, tão outra pessoa. de pouco em pouco que morreu, outra coisa brotou no lugar. outra coisa que não sou eu. que não era eu. outra coisa que cresce feito erva daninha e sufoca o que resta do que era eu de verdade. dura. eu era dura. resistente. agora ando chorona. sensível. porra de sensibilidade do caralho! foda-se a sensibilidade! foda-se a vontade de chorar no banheiro do trabalho! pra que tanta lágrima? pra quê?! foda-se essa coisa que está se apossando do que me resta de mim.
essa merda de correr atrás da porra do equilíbrio. tô cansada dessa merda. tô cansada de tanto correr pra me equilibrar. um dia abraço o desequilíbrio. aí é que eu quero ver! aí é que eu quero ver!

boa noite pra você, se é que você existe. se não existe, tudo bem, quase nada do que eu vejo existe...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

o filme da minha vida

Acabei de voltar do cinema. Fui ver Nome Próprio. De novo.
Putz, esse filme é muito escroto. Eu me identifiquei tanto com a personagem. Eu sou uma puta enrustida. Uma drogada enrustida. Uma escritora de merda enrustida. Só que ela era boa sendo explícita. E eu sou ruim em tudo sendo enrustida ou não. Me vi retratada na porra do filme tantas vezes de tantas maneiras que é como um sonho, como se eu estivesse sonhando um dos meus sonhos no qual é como se eu estivesse vivendo minha vida ao mesmo tempo em que é um filme que estou vendo. É cruel se ver tão nua assim e não ser eu, ser a vida de outra pessoa. O filme da vida de outra pessoa.
A compulsão pela escrita. O medo. A coragem. A solidão.
A atuação da Leandra Leal foi fabulosa, pena que o resto do elenco ficou bem atrás... muito telenovelescos ou, pior ainda, teatrais. Gestos ensaiados demais, frases ditas de cor. Ela cuspia os diálogos. Os outros disseram bonitinho palavra por palavra. Uma pena, mas o filme era dela, então os outros não atrapalharam muito. E foi um filme bonito mesmo. Fotografia sensacional. E toda aquela nudez sem tamanho! Nunca vi um filme com tanta nudez necessária. Não seria o mesmo se a nudez fosse só figurativa, a metáfora tinha que ser descarada mesmo. Obscena? Acho que não. Achei bonito. Tocante.
E agora que já vi do que sou capaz nos filmes, posso ler o livro. A June havia tentando me emprestar há séculos, mas eu tinha outros livros pra ler antes. Na verdade tinha uma vida inteira pra viver antes de saber que eu não sou eu sozinha, que existem muitas versões de mim andando por aí na cabeça de outras pessoas. Esquisito isso, né? eu sou uma fantasia de outra pessoa. Quer dizer, quem eu queria ser é uma personagem criada por uma pessoa que não me conhece, nunca me viu. Nunca me imaginou e, no entanto, me pariu. Agora posso ler o livro. Mas nunca poderei viver a personagem. Já sou uma outra personagem. Não dá pra mudar os papéis assim no meio da peça. Não sei ser caótica por fora, só pro dentro. Turbilhões de emoção só na minha cabeça de mamão mesmo. Eu até queria trepar com muitos dos caras com quem esbarro por aí e tomar muitos porres sozinha em bares solitários e gastar meu parco dinheiro com anfetaminas e coisas do gênero, mas eu nunca faria isso aqui na vida real. Sou uma eterna enrustida que nunca traiu nenhum namorado, nunca sacaneou nenhuma amiga, nunca ficou sem dinheiro porque torrou em drogas legais ou ilícitas. Sou só vontade. Não tenho coragem de nada. Fico seguindo a vida da forma mais metódica e burocrática porque considero que terei que viver ainda um bocado e não quero me amargurar depois – mais ainda – com arrependimentos. Eu não quero que meus sobrinhos me vejam na sarjeta. Não quero ser despejada. Não quero perder o emprego. Talvez seja por isso que a personagem mudou daqui de Brasília. Ninguém consegue fazer o que é preciso fazer nessa merda de cidade pequena. É preciso sair daqui como a criança que abandona o útero. Cortar o cordão umbilical com os dentes. Eu não saberia fazer isso. Eu gosto de ter sorvete no congelador. Gosto de visitar minhas irmãs e beijar meus sobrinhos. Embora uma parte de mim se contorça em posição fetal chorando só e querendo explodir, na vida real não dá pra arcar com tantos excessos quando não se tem nenhum talento ou beleza, como no meu caso. O que uma garota “simpática”, pobretona e sem talentos ou artimanhas pode esperar de fácil nessa vida? Acho que nada. Talvez quando eu aprender a escrever...

sábado, 16 de agosto de 2008

viver...

Tenho gasto muito dinheiro em dvd's nas lojas americanas.
Tenho feito planos milaborantes de viagens que provavelmente não realizarei.

Hoje sonhei que cortava meu pescoço com um caco de vidro e sangrava lentamente porque acreditei que morreria junto com o cara que, no sonho, era meu grande amor e que me convenceu a tomar a dianteira. No sonho, enquanto eu sangrava e ia ficando mais difícil manter os olhos abertos, ele se levantava e saia vivinho da silva.

Ontem eu caminhei prestando atenção nos cheiros da rua entre o ponto de ônibus no qual desci e a minha casa. Achei todos tão bons! o vento soprando as árvores que estão ficando peladas, cheiro de comida ficando pronta, arroz, carne, consegui até perceber distintamente o cheiro de lingüiça toscana frita, como a que eu costumava comer tão freqüentemente na casa dos meus pais. Engraçado como alguns cheiros ficam mesmo sendo tão desimportantes, e outros tão preciosos somem, desaparecem. Não me lembro do cheiro dele. Lembro que eu gostava do cheiro dele, mas não me lembro mais como era. Não lembro qual era...

Noutro dia eu mal consegui falar uma frase inteira sem me esforçar pra lembrar as palavras que queria usar.

Talvez eu morra logo. Ando sentindo uma necessidade cruel, uma urgência petrificante de deixar as coisas em ordem. Não sei porque me sinto assim. Talvez não seja a morte, talvez seja Alzheimer.

Semana passada um cara me cumprimentou com um oi tão amistoso que eu retribuí de imediato, mas no segundo seguinte eu me dei conta de que não o conhecia, então me virei pra o atendente e agradeci pela água que ele me trazia e saí dali sem saber se eu conhecia ou não o tal cara. Me senti envergonhada por não saber se o conhecia ou não. As pessoas não costumam simplesmente me cumprimentar. Tem gente que é até descarado o bastante pra puxar conversa comigo do nada – ainda que eu esteja usando fones de ouvido – mas nunca nenhum desconhecido me cumprimenta. Eu acho. Não consigo realmente me lembrar se me cumprimentam ou não. Alzheimer.

Agora estou tomando vitaminas. Espero que minha memória melhore. E espero parar de chorar em situações que não tem nada de tristes. Ando chorando até vendo comédias. Não comédias românticas. Comédias comédias. Noutro dia chorei vendo “mudança de hábito”...

Amanhã pretendo testar uma argila pra pele. Preciso fazer algo pra me distrair da minha cabeça. Preciso concentrar-me no meu corpo então. Whatever. Qualquer coisa que me faça sentir menos sentimental. Detesto estar sensível assim, me sentindo vulnerável, uma vidraça se oferecendo a pedradas. Detesto isso. E tenho pensado em aderir a uma religião só porque agora dei até pra ter medo do que vem – ou não vem – depois da morte. Antes eu achava que as pessoas inventavam deuses pra não se sentirem sozinhas, mas agora acho que é pra que possam lidar com o fato de que esta vida vai acabar, então é bom imaginar que haverá mais alguma coisa, uma continuidade. Mas, sei lá, eu tenho gostado dessa vida aqui do jeito como ela está nos últimos anos, apesar de todos os pesares. Eu realmente não gostaria de sair de cena agora. Eu gosto de chegar em casa e comer comida industrializada e depois tomar sorvete e ver filmes. É bom poder deitar na cama que eu mesma comprei com o dinheiro do meu trabalho. É bom saber que eu ando de ônibus e que meus pais não me deram carro nem apartamento. Eu não brinco de casinha, eu sou independente de verdade, e isso é bom porque foi assim que eu escolhi viver. E é por isso que, embora longe do cara que eu gosto, frustrada com as decepções no trabalho, e vendo gente que eu amo sofrer porque a vida é dura pra caralho, eu quero viver ainda. Eu quero poder viver. E gostaria muito que essa decisão competisse exclusivamente a mim e não à violência urbana, às doenças infecto-contagiosas, crônico-degenerativas, ameaças de guerras mundiais, etc. Queria poder escolher viver e viver. Só isso.

domingo, 3 de agosto de 2008

pluft o fantasminha




pois bem, mudei o cabelo de novo. agora ficarei assim por um tempo, até que eu me canse de me ver assim. impressionante como o meu cabelo interfere nos meus sentimentos. de tranças eu me sinto muito mais afirmativa diante do mundo. assim, de cabelinho solto, mais mulherzinha e isso e coisa e coisa e tal (dizem até que eu fico bonitinha assim), me sinto muito menos confiante. dá uma preguiça sair de casa e enfrentar o mundo... vai saber.
e ontem na página do divirta-se do correio tava escrito que a Britney anda gastando 11 mil libras por mês pra ficar em forma. pensei what the fuck! eu ia gastar R$109,00/mês na curves e já achei caro pra caralho!!! creedo. acho q vou reconsiderar e fazer a tal visitinha com hora marcada lá. preciso entrar em forma. estou na fase da ladeira à baixo do físico: trintinha nas costas e os números vão aumentando e minha resistência vai diminuindo... ando cada vez mais cansada, mais indisposta. os exercícios devem dar um jeito nisso. eles têm q dar um jeito nisso. academia é mais barato q terapia.

domingo, 27 de julho de 2008

sexta-feira

devo começar pelas crianças. é, devo começar escrevendo sobre os meninos andando de bicicleta, alegremente, e eu os vendo no curto caminho entre o salão e o ponto de ônibus. tinha meninos soltando pipas também. sempre gostei de pipas e nunca tive nenhuma. talvez um dia eu vá à torre e compre uma pipa e a empine até cansar numa tarde de domingo. nunca farei uma coisa dessas.
engraçado como as coisas nas periferias são diferentes do centro: crianças, meninos pra ser exata porque não vi nenhuma menina brincando na rua, meninos andando de bicicleta e soltando pipas. um vira-latas. um bêbado. no Plano não vejo crianças soltando pipa, nem deve dar por causa das árvores entre os prédios, ou talvez eu é que não fique observando o bastante pra vê-los. de todo jeito, nas periferias tem sempre criança na rua brincando. e vira-latas. e bêbados trôpegos em plena luz do dia. vai saber qual a melhor hora pra se embriagar...
eu estava no Guará. e, sim, tudo o que não é Brasília é periferia. não é um estudo sociológico, é pura geografia mesmo. ou alguém espera ver alguma criança soltando pipa no lago sul no meio da tarde? será que tem gente morando no lago sul, eu me pergunto. sigo caminhando. reparo na grama rala e avermelhada pela falta de chuva. reparo nas calçadas puídas, mas elas ainda estão ali, pelo menos. e há árvores. em Samambaia, por exemplo, é diferente. tem menos árvores, mais crianças nas ruas. calçada então, nem se fale! falta calçada. e eu caminhando e pensando do ponto de ônibus ao salão e, mais tarde, do salão ao ponto de ônibus. fui dar um jeito no cabelo. é mais fácil, muito mais fácil, manter o cabelo liso do que cacheado. não encontrei um salão pra fazer um permamente, mas pra tal escova instantânea tem aos montes! fui naquele porque uma amiga me indicou. e até que era bom mesmo, não só o preço mas o atendimento. a moça que me atendeu, com seu fortíssimo sotque goiano, era simpática e ainda aparou as pontas desgovernadas do meu cabelo sem cobrar nada. e eu saí de lá com os cabelos perfeitamente lisos. deixei as tranças momentaneamente. daqui um tempo eu volto a usaá-las, são muito mais práticas. e eu acho-as bonitas. e acho que combinam mais comigo do qu este cabelinho perfeitamente liso.

tudo parece um cartão postal de algum lugar que eu já visitei um dia.

peguei o primeiro ônibus que vi. olhei pra o número e entrei. só depois de uma boa meia hora é que tive coragem de admitir que havia pego o ônibus errado, quer dizer, ele vinha pra o Plano, mas não sem antes rodar todo o bendito Guará. vi o pôr-do-sol no ônibus. ainda bem que levei meu mp3 comigo. quis escrever, mas só deu pra rabiscar as idéias principais enquanto o ônibus parou na rodoviária de lá. preciso de um bloquinho de anotações. melhor, preciso lembrar de levar meu bloquinho de anotações. mas escrever em ônibus é ruim. escrever num ônibus da viplan é pior. os piores ônibus ever!

me estômago roncava. eu estava morrendo de fome. só havia tomado café, por causa da hora em que acordei, e já fazia muito tempo que estava fora, e ter pego o ônibus errado não foi nada bom pra minha fome. eu estava sem nenhuma barrinha de cereais porque deixei meu estoque no trabalho porque esqueci de trazer pra casa ou então porque eu devo ter ido a algum lugar do trabalho e fiquei com preguiça de levar as caixas comigo quando as comprei. me estômago roncava e isso me deixa puta de raiva porque não gosto de dividir essas intimidades com desconhecidos (veja, caro leitor, como o considero praticamente de casa). se eu que estava ouvindo música podia ouvir meu estômago roncando vez ou outra apesar das minhas inúmeras tentativas de aplacar a fúria das minhas tripas com água, imagina o que não estavam ouvindo os presentes?!

reparei numa coisa no Guará: montes de muros grafitados em homenagem à jesus. achei peculiar. no dia em que eu tiver a oportunidade de ir ao lago sul, vou reparar se alguém tem um muro de casa grafitado em homenagem à jesus. não sei por que as pessoas da periferia tem que demonstrar mais apego à religião do que os outros. isso sim daria um belo estudo sociológico, antropológico e, por que não, geográfico!

comi dois pastéis e um caldo de cana na kingdom. eu ia comer na rodoviária mesmo, mas a presença inconveniente de um velho me cotucando e mostrando uma carteira de identidade enquanto pedia dinheiro me fez mudar de idéia. depois fui às lojas de eletrodomésticos pesquisar preços de máquina de lavar roupas. preciso de uma. decidi que vou remodelar minha casa. preciso de um ambiente mais salutar, mais organizado, preciso de móveis mais adequados, de uma parede colorida, de sofá combinando com a persiana. já que tenho passado a maior parte do meu tempo livre em casa, ela deveria ser mais aconchegante. preciso pensar melhor nisso. preciso ver minhas possibilidades financeiras. bem, terei que pesquisar muito pra fazer um crediário de tudo numa loja só. essa romaria de pagar boleto de loja em loja é uma via crucis que eu não me inflingirei. uma só tá bom.

não estou preparada pra voltar oa trabalho, por isso estou escrevendo até agora... não queria ter que trabalhar pelos próximos seis meses... queria uma licença prêmio de seis meses. começando amanhã.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

SP

pois bem, cheguei hoje de viagem e ainda estou naquela ressaca de viagem. fazia tempo q eu não passava tanto tempo longe da minha casa. sempre sinto falta da minha casa quando eu viajo. não é da casa em si, mas dos objetos nela e da sensação que ela me transmite porque eu gosto de ficar em casa, ainda que ela esteja terrivelmente desorganizada, empoeirada e com um cheiro estranho depois desses mais de 10 dias fechada... eu esqueci de deixar a chave cópia com uma amiga que deveria vir aqui pra deixar o ar circular e molhar minha plantinha que, aliás, tá mais pra lá do que pra cá, coitada.
enfim, retornei ao meu lar doce lar.
e a viagem foi boa, muito bacana mesmo, apesar d'eu ter ficado bastante doente com direito até a conjuntivite... puutz... enfim, nem mesmo uma peça horrenda de teatro que durou 2 horas foi capaz de tirar meu bom-humor em SP. a viagem foi bacana e valeu à pena e eu voltei cheia de idéias pra os meus trabalhos manuais, com o corpo alquebrado de tanto dançar nas baladas, e cheia de fotos na câmera pra descarregar quando estiver com mais paciência pra isso que hoje. hoje não quero fazer porra nenhuma.
hoje vou esquecer todos os sonhos insanos que tive por lá - e foram vários, cada um mais David Lynch que o outro! - e não vomitarei nenhum poeminha - e eu pensei em vários, todos mentirosos e vagos como os meus poeminhas costumam ser - e não lavarei meus cabelos e não cozinharei. ficarei aqui, dependurada na internet vendo e-mails antigos e inúteis porém engraçados, jogando paciência spider, conversando com quem estiver on line no msn e pensando em como a vida poderia ter sempre essas pausas ainda que não seja domingo nem feriado porque eu gosto de me dedicar a não fazer porra nenhuma já que normalmente tenho tanta coisa a fazer...

segunda-feira, 7 de julho de 2008

domingo sem futuro

confusa
muito confusa

escutando Los Hermanos e comendo chocolates sem parar
pensando que eu deveria querer ficar sozinha neste momento
pensando em como eu deveria ficar feliz por estar sozinha agora
mas não estou

será que eu sou só mais um ser humano? uma daquelas pessoas que precisam de outras ao lado? quando foi que eu fui assim? quando? em que momento isso aconteceu?
quando foi que aconteceu d'eu me tornar uma pessoa que sente falta de abraços? não qualquer abraço, um determinado abraço
quando foi que aconteceu d'eu sentir essa saudade tão inesperada?
em que momento essa porta se abriu?
quando foi que eu deixei que ele entrasse e se alojasse aqui como se nunca tivesse ido embora
como se estivesse estado sempre aqui comigo?
essas coisas não acontecem assim gratuitamente
ou acontecem?

por que as coisas estão sempre me acontecendo à minha revelia? quando é que vai caber à mim decidir? quando poderei dizer sim e não e os sentimentos vão - finalmente - me obedecer?
quando eu poderei decidir de quem gostar e como gostarei?
quando eu poderei mandar na saudade
nas expectativas
na solidão
na angústia
na frustração
na esperança
no medo
na paixão
quando?

eu quero ter controle.
preciso controlar alguma coisa, então por que não a mim mesma?
detesto ficar assim andando a ermo
correndo em círculos ao redor de mim
não sei porque é tão difícil admitir certas coisas
porque eu choro e mudo de assunto
porque eu não quero me abrir
porque permaneço sempre com um pé atrás
é difícil reagir
muito difícil sorrir contemplando o abismo
o grande abismo
o maior abismo
o futuro

talvez se ele estivesse aqui e segurasse minha mão...
ele! sempre ele!
ele imaginário que preenche meus sonhos
que jamais existiu em carne e osso
que pode ser todos e é nenhum
que nunca me viu
que me espreita em todas as esquinas, olha de lado como o meu futuro pra mim
ele que não é ninguém
ele que é o amor que não chega
e eu envelhecendo só
os cabelos branqueando
a pele perdendo o viço
os olhos perdendo o eixo, perdendo o brilho
o coração tornando-se cada vez mais opaco
os lábios se contraindo em eterna espera
só espera
sem recompensas
acordo cedo
acordo tarde
os dias se alternam
a vida permanece igual
igualzinha
os anos passam
eu envelheço
e a morte ali na esquina
e o futuro é um sonho distante
longínquo
inatingível

por isso eu quero tudo agora já agora mesmo
amanhã não serve mais
amanhã nem sequer existe
o agora existe
só o agora
e agora estou só
levanto-me, desligo as luzes e vou dormir só
porque o futuro não existe pra ninguém.

sábado, 5 de julho de 2008

esfriar a cabeça...

pois bem, voltei da rua cheia de coisas nos olhos
cheia de idéias pelo corpo
cheia de vontades insaciadas

e pra não fazer ligações de madrugada, chego em casa, escrevo um pouco, me dispo
- ou pelo menos tento fortemente me despir -
de todo desejo que me percorre da ponta dos cabelos à ponta dos dedos das mãos me impulsionando a fazer ligações de madrugada.

e agora tomo um banho

banho frio é o cacete! neste frio da porra??

tomarei um banho quente e demorado. o planeta que me perdoe,
mas é isso ou o arrependimento eterno...
não dá pra querer ouvir uma voz grave às 4h45 da manhã de um sábado
sem depois pagar o preço - bem alto, suponho eu - da imprudência
não telefonarei.
não mandarei e-mail.
nada de scraps.
nem tão pouco mensagens no celular.

vou tomar banho quente e demorado pra afogar as mágoas (que são muitas) e o desejo que insiste em brotar como líquen sobre pedra...

este será um longo final de semana...

quarta-feira, 2 de julho de 2008

dormir sonhar

I wish I could dream my life away...

não sei porque afasto o que desejo
ou porque demoro tanto a dormir
nem porque mordo os lábios sozinha em casa
choro ouvindo músicas idiotas
quero chutar canelas de desconhecidos
incendiar jardins
pisar em borboletas azuis
é algo que me falta
algo que me faz suspirar
e pesa tanto em mim...

mas onde, diabos, eu colocaria tanta beleza nessa alma puída?

melhor é não ter esperança alguma porque assim a gente não se frustra.

um dia eu consigo fazer de conta que realmente nada existe naquela direção pra qual não posso mais olhar. há coisas que não se pode desfazer.
e quando a gente olha pra trás, vira estátua de sal. a gente se dissolve nos próprios medos, na loucura. e é preciso estar são. é preciso ser direito, certo, honesto, reto, lúcido sobretudo. não se pode derrapar nessa avenida. não se pode.

é preciso dormir e sonhar uma outra vida. um outro mundo. porque neste aqui nada é possível. eu prefiro dormir. quisera dormisse e não acordasse mais, pouparia tantos incômodos a mim mesma, tantos constrangimentos. quantas burradas economizadas! um dia eu ainda durmo e não acordo mais. tomara.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

banho

às vezes a Vida é confusa demais
ou talvez seja eu
deve ser eu...

talvez um dia eu consiga lavar não apenas meus cabelos
mas minhas idéias
tirar todos os resíduos delas
todo e qualquer ruído
deixá-las límpidas como a água que escorre das minhas mãos
talvez um dia eu consiga lavar todos os problemas
todas as dúvidas
todos os infinitos pontos de interrogação
tudo descendo ralo à baixo...
tudo desaparecendo sob meus pés
e no alto da minha cabeça não restará nenhuma dúvida
serei, enfim, livre
e aí voarei
baterei minhas asas
abraçarei a amplidão do céu
um pássaro
um passarinho
rumando pra algum Norte
deixando só meus instintos - não minhas idéias embaralhadas - me guiarem
serei livre
enfim
um dia

sexta-feira, 20 de junho de 2008

surpresa!

às vezes acontece da Vida ser boa...

terça-feira, 17 de junho de 2008

ontem

ontem eu fui menina de novo
rodopiei feito um peão na mão da noite
girei e valsei a noite como se menina fosse
como se fosse a menina que eu nunca fui
feliz rodopiando girando sorrindo
era como um brinquedo novo
eu rodando minha saia imaginária bordada de estrelas...

eu fui menina de novo como jamais fui

mas como tudo se acaba
acabada a folia
acabada a noite
raiado o dia
voltei a ser o que sou como sempre fui
uma menina sem saia nova e nem brinquedo novo
com um passarinho no coração que não voa
aponta para o Norte

acabada a festa
acabada a gira
acabada a roda
acabada a música
acabados os risos
e as estrelas
tudo volta para onde sempre esteve
no mesmo lugar quieto onde nenhum sussurro se imagina
onde bocas jamais se encontram
onde os pássaros vivem presos porque voar é perigoso demais para os corações
onde há o medo
medo que destrói os beijos
medo que congela os abraços
petrifica sorrisos...
eu morro de medo de tudo do mundo do vento da roda do riso do pranto do santo da louca da lua da estrela do beijo da boca dos olhos da saudade da idade da morte da rua do frevo do samba da música do abraço dos dias da poesia da vida

mas eu sei que quando eu fui menina de rodar minha saia rodada
havia lá um menino que me rodopiava
eu era um peão nas mãos da noite que brincou comigo
aí acordei sem beijo sem nem a lua e nem nada...
acho que sonhei um menino
de olhos
e lábios

sonhei...

tudo no mundo se acaba
a noite
a festa
as férias
o carnaval
o coração
a paciência
tudo no mundo se acaba
menos o medo da vida

terça-feira, 10 de junho de 2008

a esta hora?!!!

Eu estava me preparando pra dormir, estava terminando de conferir uma lista dos livros que eu quero e estão esgotados e uma amiga encontrou num sebo de SP pra mim. Estava me convencendo a ir dormir pra não passar o dia de amanhã, como o de hoje, feito um zumbi. Aí o telefone toca. Meu coração pára e, quase, por uma fração de segundos mesmo, eu atendo ao telefone. No canto inferior do monitor o reloginho me avisa que já passa das 23h30. Quem me ligaria a esta hora se não ele? Não atendi. Deixei-o tocar e cada sinal era uma tristeza. Não poderia jamais atender ao telefone a esta hora da noite porque se fosse ele eu não saberia o que dizer. “what can you say when a love affair is over?”
E se não fosse? por que diabos alguém me ligaria a esta hora da noite? que pessoa sem noção e sem propósitos liga quase meia-noite pra residência alheia? acaso não sabe que sou uma proletária que tem que dar duro no batente diariamente e precisa dormir?!
Não atendi. Melhor nem saber quem não era ao telefone.
Agora preciso jogar mais algumas partidas de paciência spider pra acalmar minha cabeçona de mamão e poder dormir. Preciso dormir. Dormir e descansar.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

meu passarinho

Eu tenho um pássaro. É um pássaro pequenino. Ele mora dentro do meu peito. Tem uma gaiolinha aqui dentro. Normalmente a mantenho trancada, é que a Solidão – é o meu passarinho – não gosta de visitas. Sempre que me aparece uma visita ela voa pra dentro da gaiola e fica quietinha lá dentro. Quando eu era pequena não gostava de visitas também, mas minha mãe me obrigava à ir cumprimentá-las na sala... Não faço isso com a Solidão não, eu deixo ela ficar lá escondidinha.
Quando as visitas vão, ela abre a gaiolinha e fica empoleirada no meu ombro direito. Ela não canta não. Ela só fica lá se fazendo notar discretamente, como se fosse parte de mim, como um fio de cabelo revolto que não assenta. Ela suspira. Suspira muito. É uma avezinha suspirante. E me faz companhia sempre que estou só.