segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

o que será que será...

vontade louca de raspar os cabelos!!!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

meu homem

não se preocupe, meu amor, porque homem nenhum é páreo pra você
eles são todos feitos de carne osso e defeitos
você é feito de sonho
na realidade dura, nem você é páreo pra você
então encosta sua cabeça linda no travesseiro do meu peito em mais essa noite de sonho e sonha comigo, durma comigo, viva comigo na minha cabeça, nos desenhos que teço de olhos fechados
porque na realidade dura, eu sou uma mulher como todas as outras: carne osso e sonhos...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

in vino veritas

a sua forma peculiar de pronunciar o meu nome as sílabas se desprendendo da língua e da boca e eu hipnotizada por suas mãos e braços gesticulando a voz macia num ritmo macio tudo no lugar certo tudo onde deveria estar meus olhos acompanhando a coreografia da boca e das mãos tentando evitar seus olhos de forma peculiar me fixando no som da risada acompanhando as palavras ditas me envolvendo na voz macia preenchendo o espaço entre os gestos eu ria sem saber o que fazer intoxicada por olhos que eu não podia encarar

todas as estrelas de todas as constelações brilhavam como uma placa de néon me avisando pra evitar aqueles olhos e aquela voz e aqueles gestos
porque não foram feitos pra mim
porque apontam noutra direção
não importa o quanto eu me sinta acariciada e envolvida por aqueles gestos
naquela voz
naquela forma tão deliciosa dele pronunciar o meu nome
nada é real
nem foi feito pra mim

aquela língua e aquela boca tão bonita soltando sílaba por sílaba de uma conversa que era necessário acabar e que, acabando, me fez sentir vontade de vir pra casa dormir e sonhar uma realidade na qual ele seja possível...

domingo, 4 de outubro de 2009

resposta pro Pecador Superficial

as brisas quentes são as que me endoidecem. põem meu sangue a ferver como se tivessem jogado pimenta braba no meu sistema…
e, passando o dia inteiro trancada no trabalho, sem ar condicionado ou ventilador pra apaziguar a situação, sinto-me como um animal enjaulado que rosna pros visitantes do outro lado das grades.
essas tardes calorentas são o fim do meu verniz… arre…

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

numa noite quente como esta...

Qualquer noite dessas viro lobisomem. Eu vinha andando e aquele calor dentro e fora do corpo me bulindo toda, fora o guaraná em pó e seu efeito em dois níveis interdependentes me revirando os pensamentos como se fossem os vagões de um trem descarrilando e me fazendo perceber mudanças no meu corpo, uma decadência rápida do vigor físico proporcionalmente inversa à velocidade das idéias. Bateu aquela vontade lascada de bagunçar meus cabelos, largar todo o material e sair correndo noite a dentro. Qualquer noite dessas viro lobisomem, pensei enquanto olhava a lua perfeita cintilando no céu, tão longe e tão perto. Sei lá porque eu sinto como se a lua fosse este tambor ribombando dentro do meu peito em noites como esta. Só sei que lembrei de um trecho dum conto da Anais Nin em que ela diz que essas lendas de criaturas mágicas como os lobisomens devem ter sido feitas por homens que viram mulheres mudar completamente no sexo, mudar o comportamento, o olhar e até a voz, como se elas fossem outra pessoa, um animal... Achei lindo isso na hora em que li e achei lindo pensar que eu poderia me pôr a correr como um outro animal pelas entrequadras da asa sul, no ritmo da lua.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

anel de lápis lazúli

Se eu esticasse minha mão, poderia tê-lo tocado
sentiria na ponta dos meus dedos a sua nuca perfeita
seu queixo perfeito
seus cílios perfeitos
acariciaria suas mãos perfeitas
tocaria com os meus os seus dedos perfeitos...
Nada fiz além de olhar
contentei-me em ver
contemplá-lo
Senti-me embriagada com cada gesto dele,
meus olhos percorreram o arco dos seus gestos, das suas mãos enlaçadas na nuca, batucando no tampo da mesa,
percorrendo com a caneta o papel,
arrumando os óculos sobre o nariz
o nariz perfeito...
As mãos de unhas curtas, mãos brancas que parecem tão acolhedoras quanto fortes,
mãos que acariciaram o papel áspero, a mesa áspera, mas nunca me tocarão a pele macia.

Não quero mais falar com ele.
Não quero mais ouvir sua voz perfeita. A voz linda, melodiosa, máscula, quente... Chega dessa voz que ela não foi feita pra meus ouvidos nem quando ele me dirige a palavra. Ele quer falar comigo. Não sou sua amiga. Não quero ser sua amiga.
Quero seguir meu caminho sozinha noite a dentro apagando essas memórias irretocáveis, lindamente encenadas pra mim sem que ele soubesse ou disso fizesse caso e por isso mesmo ainda mais valiosas...
memórias emolduradas em dourado
Os gestos dele no abandono de seu lugar, intercalando seus dedos num aperto de mãos que eu observei silenciosamente
meu coração batendo na ponta da língua
quis lamber-lhe as mãos, cada dedo, mordê-los carinhosamente como a leoa à sua presa... lamber-lhe o queixo, os olhos...
Foi o anel de lápis lazúli quem quebrou o encanto, encerrou a magia da noite, desta e de todas as outras que poderiam vir somente de vê-lo, de me deliciar com seus gestos banais lindos porque ele é lindo sendo quem é como é: um perfeito desconhecido pra mim.

Findou-se o encanto, meu rapaz: teu lápis lazúli é minha criptonita...

Não sorri, apenas acompanhei cada um de seus gestos para guardá-los na memória o mais cuidadosamente distantes da verdade, da Vida, quanto possível.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

deixa estar...

ah, minha maçãzinha, deixa estar...
um dia hei de devorar-te lentamente
pedaço por pedaço
que me importa que sejas homem feito?, devoro-te
agora, palavra por palavra, letra por letra,
um dia, cravo os dentes na tua carne branca e macia
as mãos agarradas aos teus cabelos como se eu pudesse apanhar teus pensamentos selvagens
a língua percorrendo docemente tua carne tenra, tomando aos goles o teu sangue
tua vida pulsando nos meus ouvidos...
bate coração, gritarei! bate mais forte! mais forte! troveja nesse peito! arrebenta-o, foge daí pro mundo! foge daí e cai nas minhas garras, coração, que aí verás tu o que é o tempo sobre o desejo, dia após dia afiando dentes e unhas na espera do momento certo, o momento de colher, o momento de ceifar

deixa estar, minha maçãzinha, que um dia rasgo tua camisa e deixo teu peito nu
exposto pra mim como um quadro numa galeria
arranho-te
tu gostas?
claro!
os homens como tu gostam de ser comidos vivos com os olhos, com a língua...
deixa estar...