domingo, 23 de setembro de 2007

domingos - final

O cara atrás de mim na fila do ônibus cutucou meu ombro. Virei tirando o fone do ouvido.

– Fizeram um ensaio em você? – Ele perguntou rindo, numa nítida alusão às minhas tatuagens.

– Não. – Respondi secamente enquanto recolocava o fone e virava pra frente.

As pessoas se acham tão engraçadas, né? Eu só gostaria de saber por que insistem em fazer contato comigo. Cara fechada, fone no ouvido, não poderia ser menos convidativa a uma conversinha com desconhecidos. Nisso que dá andar de ônibus. Quem puxa conversa com gente andando de carro?

Antes disso, no ônibus que peguei da casa do meu pai até a rodoviária, aconteceram coisas, claro. Quanto mais cheio um ônibus, mais coisas devem acontecer nele. Primeiro uma mulher começou a ler a palavra em voz alta no ônibus, como se o barulho do ônibus e das conversas e das crianças já não fosse o suficiente. A palavra: alguma passagem da bíblia que ela achou muito importante compartilhar com os demais passageiros. Eu – graças a todos os deuses! – só precisei aumentar o volume do mp3 e tudo ficou bem :>

Depois eu vi um cara que eu jurei muito familiar. Tentei procurar nos arquivos empoeirados da minha memória e, claaaaaaaro, a resposta (mais ou menos) só veio depois que ele já tava bem fora do meu alcance. Acho que foi um menino que fez introdução à antropologia comigo há séculos atrás e era um doce de pessoa. Eu cheguei a dizer isso um dia pra ele, que ele era o cara mais doce que eu havia conhecido. Ele ficou vermelho feito um pimentão. Bem, era verdade.

Por último, entra uma mulher com uma menininha no colo. É claro que nenhum dos marmanjos ou das mulheres com bolsinhas embaixo do braço cedeu o lugar, eu tive que ceder. Pedi à mulher que deixasse minha mochila lá no chão porque estava muito pesada pra eu ficar carregando. Ela agradeceu sorrindo e disse que tudo bem. Gentileza é coisa difícil de se arranjar hoje em dia. Puxar conversa com quem não deve esses putos puxam, mas ceder o lugar pra mulher com criança de colo, isso ninguém faz. Aff....

Deu pra ver o relógio do BRBosta marcar 19:54 e, na seqüência, 29º. Aff Maria! 29º de noite! imagina quanto não foi durante o dia? Eu passei a tarde inteira na sauna da casa do meu pai. A casa é uma sauna. Quer dizer, falta o eucalipto, mas o calor é igualzinho. Como diria um amigo, tivesse tecla crisp, seria um forninho de microondas. Afff. Hoje eu e meu pai passamos a tarde juntos. Não poderia ter sido um programa mais terceira idade: eu tricotando e ele vendo as coisas mais trashes que passam na tv aberta de domingo. De vez em quando eu erguia os olhos pra confirmar se a barbaridade que estava ouvindo era verdadeira... De simple life ao jogo do palmeiras, ouvi de tudo... O que me deixou mais estupefacta? O novo uniforme do palmeiras. Que lixo verde-limão-pakalolo é aquilo??? Deuses! Se eu fosse torcedora, me recusaria a usar aquilo, continuaria com o antigo verde-papagaio que é bem menos horripilante, embora também não seja nenhum paradigma de beleza...

Mesmo tendo passado a tarde inteirinha tricotando, infelizmente não consegui terminar o cachecol do Mano, mas talvez consiga amanhã.

Ah, pior é que esqueci de tirar dinheiro do banco e não tive como deixar pra o meu pai jogar no tigre pra mim amanhã. No tigre e no macaco. Sonhei com o tigre, mas tenho pensado em macacos desde ontem. Droga, se der macaco ou tigre ficarei muito puta.

Um comentário:

Yazu disse...

Bom, eu não me incomodo quando puxam assunto comigo se for pra uma coisa construtiva mas... nunca é :D